quarta-feira, 30 de maio de 2007

Heresia? Parece, mas ... não é!

Apenas mais uma daquele Sr. Pina

Não é, não, depois de mais uma edição do "Politilendo" em que se falou do ocultismo da Igreja! É tão só mais uma evocação de marcas (talvez apenas isso?) que nos modelam, eventualmente de forma irremediável, algumas das nossas capacidades fundamenais como ser humanos! Mas, a traduzir o resultado dos ganhos sociais que o conhecimento progressivo vai provocando (ou racionalizando a dinâmica cultural, para referir esta definição do Mischa Titiev 1), estamos perante uma autêntica revolução na "Revelação" da Fé!

Mais uma vez, a Igreja! E eu que também tenho reminiscências do meu 'céu', apreendido no catecismo da minha infância! Muito participativamente! Acólito e tudo! E depois? Depois foi Lisboa e o Liceu D. João de Castro! E a "musicologia da libertação"! E o MAEESL de 71 e 72! E Amesterdão, Krishna, Buda e o Corão! E depois sou Eu! Então?

"O Além mais "simplex"


A "simplexificação" chegou ao Além. A Igreja acaba de desactivar o limbo, morada das almas das crianças não baptizadas, mortas sem terem tido tempo de cometer pecado mortal nem de se redimirem da culpa de terem nascido. Aos 10 ou 11 anos, eu imaginava o limbo como morada também das almas dos animais (como podia eu admitir que a minha afectuosa gata "Gira" não tivesse alma e o meu professor de Matemática tivesse?) e, tendo-me alguém convencido de que a Igreja só teria concedido alma às mulheres a partir do Concílio de Trento (teriam então Santa Cecília, Santa Ágata ou Santa Genoveva, perguntava-me eu, sido santificadas sem possuírem alma?), que seria também esse o destino das suas "proto-almas", ou lá o que mulheres teriam até essa data no lugar da alma. O limbo dava-me um jeito enorme para arrumar as almas puras que escapavam às severas regras de acesso ao Paraíso que me ensinavam na catequese. Agora a Igreja concluiu que o limbo reflectia, afinal, "uma visão excessivamente restritiva da salvação" e decidiu extingui-lo e transferir administrativamente as almas excedentárias para o Paraíso. Mesmo sem ser teólogo, eu sempre soube, porém, que as almas das crianças e as dos animais, como diz o Corão, "estão reunidas junto do Senhor" (Corão, 6, 38)."

Retirado da "Última" do JN de 2 de Maio
(1) TITIEV, Mischa, Introdução à Antropologia Cultural, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª ed., Lisboa, 1985, pp. 163 e ss.

sábado, 12 de maio de 2007

Tempos pródigos

Estou mais uma vez em Lisboa, neste baixo de astral que, sintomaticamente, reagiu bem à passagem pela região de Fátima, esse pacífico lugar de elevação dos espíritos ao Céu (com Maria ou, mesmo, para os que com Ela não convivem. Se não na ideia, há sempre lugar para a comunhão do espírito, pois ... vale bem a pena, "quando a alma não é pequena"!)
É neste contexto de evocação anímica, a puxar para a efeméride que marca um dos 'cantos' mais profundos da nossa cultura (mariana), que gostaria de exortar a sublime sensação de bem-estar que pode causar este trecho musical, bem ao gosto e dentro da aura que neste momento centenas de milhar de pessoas estarão a viver lá para aqueles lados de ... Fátima!

Neste mês que é

do coração

da Mãe

das flores

de Vénus

de Adriano

da chuva abençada

do recomeço da vida!

da Mãe Natureza!

Obrigado


Ave Maria (Schubert)


sexta-feira, 11 de maio de 2007

Vergonhas nacionais?

Ora digam lá se não estamos perante duas grandes vergonhas nacionais! E se não têm nada a ver uma com a outra! Não me admira que, assim, já tenha ouvido praguejar e mandar a democracia deste país das bananas à merda!
São mais duas tiradas de outros sítios, certamente já catalogados no index das maldições ou excomunhões! A julgar pela persistência das críticas, os respectivos autores ainda serão indexados como hereges do politicamente correcto!
Ao mesmo tempo que, segundo números da Comissão Europeia, o poder de compra dos trabalhadores portugueses registou, em 2006, a maior descida dos últimos 22 anos, a CMVM anunciou que, entre 2000 e 2005, os vencimentos dos administradores das empresas cotadas em bolsa duplicaram (e nas empresas do PSI 20 mais que triplicaram!). Isto é, enquanto pagam aos seus trabalhadores dos mais baixos salários da Europa a 25 (e todos os dias reclamam, sob a batuta do governador do Banco de Portugal, por "contenção salarial" e "flexibilidade"), esses administradores duplicam, ou mais que triplicam, os próprios vencimentos, vampirizando os accionistas e metendo ao bolso qualquer coisa como 23,9% (!) dos lucros das empresas. Recorde-se que o Estado é accionista maioritário ou de referência em muitas dessas empresas, como a GALP, a EDP, a AdP, a REN ou a PT, cujas administrações albergam "boys" e "girls" vindos directamente da política partidária (cada um atribuindo-se a si mesmo, em média, 3,5 milhões de euros por ano!). Se isto não é um ultraje, talvez os governos que elegemos (e o actual é, presumivelmente, socialista) nos possam explicar o que é um ultraje. O mais certo, porém, é que se calem e continuem a pedir "sacrifícios" aos portugueses. A que portugueses?»
Luísa Bessa
"De onde vem todo este dinheiro?" é a pergunta que perpassa, de modo quase obsessivo, o filme de Nani Moretti sobre Silvio Berlusconi. A pergunta fica no ar mas, a dada altura, o dinheiro cai, literalmente, sobre a cabeça do futuro primeiro-ministro italiano.

A imagem ocorre a propósito do comendador Joe Berardo, que partilha com Berlusconi alguns atributos. Um deles é a opacidade sobre a origem da sua fortuna. O outro é a atracção pelo negócio dos media, a que Berardo também sucumbiu mas que entretanto vendeu, com as habituais mais-valias. Num ponto não coincidem: enquanto Berlusconi se virou para a política, o comendador preferiu ser "mecenas" de arte moderna.

Berardo já passou por várias fases. Já comprou empresas, que entretanto passou a gerir, e depois vendeu. Foi o que fez nos jornais, por exemplo. Mais recentemente concentrou-se nos investimentos em bolsa, em algumas das "blue chips" nacionais, onde tem aplicados mais de 600 milhões de euros. Mas não perdeu o gosto pelas incursões hostis, que ele sabe que acabarão por ser dinheiro em caixa. Que o digam João Rendeiro, que o teve como sócio nas águas Frize, ou a família Guedes, que com ele convive agora numa sociedade "holding" de controle da Sogrape.

Ganhar dinheiro não é pecado. Pecado pode ser a forma como se ganha dinheiro. Ora como Joe Berardo – o homem que se veste sempre de preto sem que se saiba porquê, como consta na sua biografia na Wikipedia – só é discreto no vestuário, o seu comportamento dá muito nas vistas e chamou as atenções do "polícia" do mercado.

Que passou a estar atento ao ciclo das suas declarações de que está numa determinada empresa para ficar, para vender a seguir na primeira oportunidade. A questão é demonstrar se as declarações de Berardo representam uma manipulação do mercado, contribuindo objectivamente para fazer subir as cotações, de que vai tirar proveito mais tarde.

É matéria de difícil ou quase impossível prova, mas lá que existe um padrão nas intevenções do comendador, lá isso existe. E quando existem demasiadas coincidências, há razões para desconfiar.

O "modus operandi" de Joe Berardo pode não ter nada de ilegítimo. Não é crime ser especulador financeiro. E se Berardo usa a comunicação social para passar a sua mensagem, a comunicação social também o usa a ele para bater a concorrência, vender jornais ou tempo de antena.

A verdade é que o sucesso do comendador suscita invejas e o seu estilo predador deixa um rasto de inimigos. Como não nasceu em berço de ouro e cultiva um estilo controverso, Berardo é um alvo fácil de maledicência.

Também discutível é o veículo que utiliza para o investimento em bolsa. Ao fazê-lo através da sua fundação, reconhecida como instituição de solidariedade social, Berardo tem direito a um conjunto de benefícios fiscais, nomeadamente à isenção de impostos sobre mais-valias, condicionada à sua aplicação na própria fundação. Mas como não há ninguém que fiscalize a forma como os dinheiros são aplicados, a situação configura uma espécie de paraíso fiscal.Que o Governo – este e todos os outros que o antecederam, pelo menos desde António Guterres – pactue com esta situação, sem clarificar o regime legal das fundações, só não é motivo de escândalo porque já nada escandaliza neste país à beira mar plantado.»

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Kant tem de ser revisitado! "Pela Santa Liberdade"!

Depois de ler mais uma desabafante 'bicada' de mestre JAM, veio-me à ideia mais uma efeméride que Pedrito, 'el niño' terrível do Jornal de Negócios, evocou com mais uma das suas tiradas de mestria crítica.
É caso para revisitarmos o conceito kantiano de liberdade! Como o Homem poderia ter à sua frente infinitas oportunidades de ... construir a sua felicidade e não atrapalhar a dos outros! Será que nos manuais escolares não deveria desenvolver-se o aprofundamento das consciências dos nossos jovens para o consumerismo? E será que isso chega? Como deverá ser esse processo avaliado? Como os testes? De que tipo? Dentro de que objectivos específicos? Ou teremos uma melhoruia do sistema de ensino apenas a olhar para a qualificação profissional? Porque é que consumerismo (ou a educação para comportamentos de consumo racional e sustentável) não faz parte do discurso do Sr. Presidente da República?
"A revolta do consumidor

Pedro S. Guerreiro
psg@mediafin.pt


É proibido fumar em locais fechados. É proibido fazer publicidade a bebidas alcoólicas. É proibido conduzir velozmente. É proibido vender hambúrgueres hipercalóricos. É proibido fazer publicidade a chocolates. É proibido comprar diamantes africanos.

Está a imaginar um mundo assim? Ele existe. E hoje é o dia em que se celebram os habitantes desse mundo. Hoje é o Dia do Consumidor.

A proibição de fumo está vulgarizada e a ComissãoEuropeia já deu aval à prática de excluir fumadores nos recrutamentos em empresas. Em Espanha, uma ministra fundamentalista quer proibir a publicidade de bebidas alcoólicas em folhetos de supermercado, onde as garrafas devem passar a ficar trancadas à chave atrás de vitrinas.

A mesma ministra abriu guerra à Burger King e quer proibir a cadeia de vender o seu novo hambúrguer de 800 calorias. As velocidades máximas autorizadas nas cidades europeias têm vindo sucessivamente a baixar: 60 kms, 55 kms, 50 kms... O presidente da Masterfoods anunciou a retirada da publicidade dos chocolates Mars de todos os meios que tenham audiência junto de menores de 12 anos.

O filme "Blood Diamonds" gerou uma chuva de protestos da indústria diamantífera por mostrar diamantes com sangue de gente explorada por mercenários.

Todos estes exemplos foram dados há uma semana por José Luis Nueño, no Fórum anual da APED, no Estoril. Nueño, um académico-jurista-consultor espanhol, diz que esta paranóia proibicionista viola as liberdades civis mas instalou-se na Europa do cinismo e da impotência dos políticos. O resultado, diz, será a revolta dos consumidores, que têm o direito de comer comida que lhes faz mal desde que estejam informados disso. Mesmo que a maioria dos europeus se acomode, balindo como carneiros num rebanho. O resultado, prossegue, é uma legião de europeus contidos, infelizes na sua opção (?) de viver em lares monofamiliares e sem crianças. O europeu é um consumidor infeliz que busca experiências de pico, transgressões sociais de velocidade, desportos radicais e violências que por um fim-de-semana distraiam as frustrações individuais.

Esta é uma visão apocalíptica da nossa sociedade, que defende ao limite a liberdade individual. Do outro lado estão os que supõem que o indivíduo precisa de protecção das mensagens de marketing massivo e enganador das marcas de comida-lixo, das tabaqueiras, das destilarias.

O Dia do Consumidor é como quase todos os outros dias de qualquer coisa: serve para fingirmos que nos preocupamos. Hoje é um desses dias: para políticos, patrões, trabalhadores e desempregados fingirem que se preocupam com os consumidores. Mas, além de declarações de circunstância, é importante perceber que o consumidor está entalado entre uma indústria de produtores e distribuidores que quer vender abundâncias e uma indústria do politicamente correcto e socialmente puritana que exige proibições. E há negócio em ambas as indústrias.

O consumidor é hoje dissecado por hordas de cientistas que analisam tendências, padrões, fragilidades, moralismos.

As crianças mandam nos pais, as mulheres têm um poder crescente, os produtos orgânicos estão na moda, os veículos poluentes não, há um contra-movimento emergente, o anti-consumismo, e a Internet é um meio de extraordinária difusão.

Não é como "Fahrenheit 451", de Truffaut, o filme onde os livros eram proibidos. Mas estamos de facto entre liberdades infinitas e proibições sucessivas. E, claro, a hipoteca da casa."
(O destacado a vermelho é da autoria do Publicista).

domingo, 6 de maio de 2007

Mais uma do 'Pedrito' de ... Jornal de Negócios

Vejo-me novamente face a mais uma tirada que poderia muito bem constituir uma aula de comunicacionalogia (ou, mais axiologicamente, de deontologia comunicacional institucionalizada). Daquele Pedrito que já nos habituou ao seu "mau génio" ... aquilo deve ser de família, que ele parece mais um dos que, como eu, estão rotulados de inconveniente ...!
Ora vejam lá se entendem porque é que eu gosto de relançar aqui estas do tal "menino maravilha" (é-o para mim) do J Negócos:
«A ceia do Cardeal
Justificação oficial: foram "os contactos na alta finança e alta política" que levaram à nomeação de Pina Moura pela Prisa em Portugal. É preciso dizer mais?
É preciso dizer mais do que disse ontem o patrão de Pina Moura? Manuel Polanco foi cristalino: que não, que não é por ser do PS (nem pelos méritos enquanto gestor de "media" – ao menos pouparam-nos a essa hipocrisia) que Pina Moura vai ser presidente da Media Capital e da TVI. É pelo seu poder de lóbi.

Que "contactos na alta política" tem Joaquim Pina Moura que possam aprouver à Prisa? Basta olhar para o seu "curriculum vitae" e concluir o silogismo: no PS. Que por acaso é o partido que está no Governo, com uma maioria absoluta na Assembleia da República. Que por acaso é tão socialista como o partido espanhol com que a Prisa está alinhada. Que por acaso vai decidir o futuro dos "media" em Portugal, em aspectos fulcrais como o concurso da Televisão Digital Terrestre (TDT), que assenta como uma luva na necessidade da Media Capital viabilizar um elefante chamado RETI.

A reacção de repúdio peninsular pela contratação de Pina Moura (que só José Sócrates acha normal) não tem nada a ver com o rótulo de "pesetero" que se quis colar na farpela do ex-ministro da Economia quando aceitou ser presidente da Iberdrola, a quem tinha viabilizado parcerias em Portugal enquanto governante. E invocar a condição de "amigo dos espanhóis" é não só preconceituoso como menoriza a questão em causa: a Prisa olha para o seu Cardeal como Maquiavel olhava para o seu Príncipe – os fins justificam os meios. Pina Moura é o meio entre as ambições e o seu sucesso.

Os "media" não estão num sector qualquer. São jornalismo, são negócio e são poder. Em Portugal, há uma mudança empresarial acelerada em todos os grupos, que dentro de poucos anos estarão irreconhecíveis. Por causa da Televisão Digital Terrestre, por causa da guerra pelo controlo da PT Multimedia, por causa da própria OPA da Prisa sobre a Media Capital, por causa dos novos canais cabo, por causa das plataformas digitais...

É verdade, ademais, que em Espanha o sector dos "media" é muito diferente do de Portugal. Porque é muito melhor gerido. Mas também porque a independência editorial é um conceito muito mais relativo. Os jornais portugueses são meninos de coro ao pé dos seus congéneres espanhóis. Lá, como enaltece Pina Moura, há um alinhamento ideológico explícito. Basta ver, por exemplo, a recente guerra quase diária sobre as verdadeiras razões para o envolvimento espanhol na invasão do Iraque.

Essa guerra não é só entre o PP e o PSOE; é entre o "El Mundo" e o "El País". Mesmo na imprensa económica espanhola se reconhecem alinhamentos, sobretudo empresariais.

Pina Moura diz que todos os jornais são alinhados, só que os espanhóis são mais transparentes e os portugueses sonsos. Este é um bom sinal sobre como actuará este gestor de "media". Mas Pina Moura está enganado. O Jornal de Negócios, por exemplo, tem um alinhamento claro, disponível no seu "site". Chama-se Estatuto Editorial. E por mais que custe perceber a quem vem da política, esse alinhamento não é partidário. É pela liberdade dos mercados sobre os interesses de grupos organizados, o comércio sobre qualquer proteccionismo. E pela igualdade nas condições de acesso a mercados e a negócios, acima portanto da "alta política". Ou da baixa...

Em breve saberemos se estes alertas são teorias de conspiração ou complexos de perseguição. Veremos quem ganhará o concurso para a TDT. Ou como termina a redistribuição de poderes com a PT Multimedia e os novos canais cabo. Saberemos então perfeitamente para que quer Manuel Polanco os "contactos na alta política" de Pina Moura: para ganhar.»

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Este não é o "bailinho da Madeira"

Ainda a confirmar que as afirmações insinuosas, ofensivas e atentadoras à integridade do Estado (a gravidade está na origem de onde vêm), merecem toda a atenção mediática (fora do âmbito eleitoral, claro está), vem mais esta de um dos meus 'publicistas' preferidos de hoje, mesmo que nem sempre esteja do lado das suas opiniões. Mas isso é ... secundário! Ou, se preferirmos, democraticamente primário!

"Lavar as mãos

Quando anunciou as eleições na Madeira, o presidente da República alertou Jardim que o Governo Regional ficava "limitado à prática de actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos da região", apelando (porque já sabia o que a casa gasta) a que a campanha decorresse com "serenidade e elevação". Jardim, como seria de esperar, ignorou tudo isso. "Actos estritamente necessários"? Está bem abelha Jardim faz inaugurações e re-inaugurações à média de duas por dia, usa sem pejo meios do Governo na campanha, fala (na verdade grita) nos comícios como governante e no governo como candidato, e tudo o mais de que os jornais têm dado amplamente conta. "Serenidade e elevação"? Jardim responde com a "elevação" habitual: agressões, ameaças, arruaças e insultos a tudo e todos (o mínimo que os adversários são é "traidores", "fascistas", "pides", "Hitler", "bandalhos", "bandidos"). A situação chegou a tal ponto que a Oposição pediu a intervenção do presidente. E o que fez Cavaco? Lavou as mãos. A Democracia (pois é a Democracia que está em causa na Madeira) que se amanhe e vá ter com os "órgãos competentes". Cavaco devia saber, da memória que ficou de um certo governador da Judeia, que não basta lavar as mãos para as ter limpas."

Retirado da "Última" do JN de Hoje

terça-feira, 1 de maio de 2007

The Windows of the World

Se na presente conjuntura (nacional e internacional) há um dia que deve ser lembrado em colectiva manifestação contestatária é este, dia 1º de Maio, dito há já 120 anos em todo o Mundo, do trabalhador, tal é o estado a que esta fundamental condição social nos tem conduzido!
E, porque hoje está chovendo ... talvez seja Deus, poeticamente, a querer rimar lágrimas de chuva com tristeza, quando deveria haver sol e alegria! O que não me permite evitar, com qualquer das volitivas células da minha consciência, a pública recomendação ao Governo que nos desgoverna, deste lindíssimo trecho dos anos 60, composto por Burt Bacharach e Hal David, supremamente interpretado por Isaac Hayes numa gravação ao vivo no lago Tahoe, no Nevada (álbum editado em 1973), aqui interpretado por Dionne Warwick - The Windows of the World.
Mais uma vez aconselho a traduzir a letra numa versão que não seja 'em calão', sob pena de alguns politicómanos saloizarentos pensarem que se trata de algum ritual da chuva. Nese sentido, convém atender à conjuntura internacional da época. (Para os mais interessados sugere-se uma pesquisa que se consubstancie em algo um pouco mais profundo que 'uma página A4').




DIONNE WARWICK lyrics

sábado, 28 de abril de 2007

Como um extenso hino de queixas

Ainda em rescaldo deste 33º aniversário do 25 de Abril
Mesmo com direito a transmissão a espectáculo TV q.b., vem o nosso PM berrar em defesa da saúde da 'nossa' (?) democracia, bem "oxigenada", ao contrário da "falta de ar" da oposição, mancha luso-partidária de largo espectro no republicano centrão parlamentar, de cujo actual líder viriam, replicadamente, as teatrais exibições de uma "coragem" que não admitia lições de "Sua Exª o Sr. PM".
Entretanto, levanta-se PP, como uma voz midiocraticamente conhecida pelo agendamento da propaganda, mas já inaudita da parte dextra do hemiciclo, em tons de estética e indumentária novecentista com tiques de fidalguia, a prometer a 'vigilância' que as alegadas ministeriais proposituras mereceriam por parte de tão casta bancada.
Da esquerda, nada de novo. Certamente muitos ainda esperam por aquilo que não gostam de ver atribuidos, apenas, à "família" da direita.
E as nomeações continuam. E o controle aumenta. A opressão também. E a degradação do nível de vida exponencialmente também. Sem qualidade nem dó. Em total impunidade. A paranóia colectiva é o diagnóstico que se segue. Sem apelo nem agravo. Até quando
E, lá fora, nas ruas deste país de bananas importadas, com selo de garantia CE, ainda crescem as ameaças contínuas à base social (as famílias), e por isso há décadas que se ouvem os gritos deste fenómeno pandémico:





KING CRIMSON lyrics

quarta-feira, 25 de abril de 2007

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!"

Sem fetichismos! Nem ironia, hipócrita ou não! Apenas um acumular de reminiscências que a comemoração desta data me traz, numa altura em que se viviam vidas com as emoções em perfeita comunhão com a inteligibilidade das sensações. Ou seja, desejava-se viver segundo aquilo em que se acreditava, como eu sou daqueles que ainda acredita, que o amor é o domínio da perfeita harmonia da razão com o coração!
Sem rancores pelo reiterado gande desgosto que a evolução sem visíveis progressos sociais tem causado a muitos dos jovens de então que, como eu, também sofreram na vida com o combate que travaram por uma sociedade mais justa e fraterna, este ano não escolho trecho do José Afonso (de quem viriam certamente uns quantos muito bons) ou de outro Zeca de qualquer esquerditice ciumeira (pois há-os muitos por aí para quem José Afonso é o ícone dos pobres e injustiçados, e de mais ninguém, em regime de propriedade privada da esquerda e não como expoente da cultura popular portuguesa do século XX).
Não. Há muito que não vou por aí, apesar de compreender que, cada vez mais, as razões de muitos os leve a permanecer em tão nebulosa pasmaceira melancólico-cerebral, com as ideias em aparente estado de catatonia. Prefiro a manifestação artística da música que me evoque a natural paixão e o desejo de me entregar a algo intemporal, existencialmente conducente à contemplação do que a razão humana tem assimilado como o mais sublime da Criação: o ser humano!
Esperando que este 33º aniversário não signifique, portanto, a idade em que, de vez, se liquidem as aspirações ao verdadeiro progresso sócio-humano do povo português (que Cristo não sirva para esse fetichismo), deixo no ar o estímulo que, em muitos da minha geração, este trecho musical constituiu na busca da felicidade:




SLEDGE PERCY lyrics

terça-feira, 24 de abril de 2007

A Deus o que é de Deus, ao povo o que é do Estado!

Por que será que esta notícia me preocupa? Pela fuga dos médicos que procuram melhores sistemas de valorização dos serviços que prestam? No actual mercado de factores, ninguém poderá duvidar ou, sequer, tecer qualquer juízo de valor que confronte tais atitudes com as respectivas consciências morais.
O que socialmente está aqui em causa não são, sequer, as matrizes deontológicas (será necessário evocar o juramento de Hipócrates) que regem as disciplinas dos profissionais de qualquer serviço nacional. O indecente da questão é a fuga ao dever de retribuição dos que, durante anos, tiveram como fundo financiador da sua formação académico-profissional as contribuições fiscais daqueles a quem agora só querem atender em privado, podendo suportar, suplementarmente, os custos dessas deslocações.
Este pode ser, finalmente, o quadro probatório das intenções sociais da governação vigente: se realmente se mantiver esta tendência ou, mesmo, nada se fizer para a reverter, então podemos dizer adeus ao Estado Social de Direito. Ou, até, adeus Portugal.

"Centenas de médicos pedem licenças sem vencimento
24.04.2007 - 08h14 Catarina Gomes

Isabel Neto, médica que foi durante anos a mais fervorosa defensora dos cuidados paliativos, diz que deixar para trás a unidade da especialidade do Centro de Saúde de Odivelas (Loures) "foi uma decisão difícil e ponderada". A propósito da sua saída do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, José Roquette, eminente cirurgião cardiotorácico, responde que "as pessoas são livres de fazer as suas opções".

Os dois deixaram o sistema público de saúde inaugurando na semana passada novas tarefas no Hospital da Luz (privado), em Lisboa. Fazem parte de um grupo de centenas de médicos que fizeram a sua carreira no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas agora optaram pelo sector privado.
Segundo números do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) de 2006 e 2007, foram entre 300 e 500 os médicos que pediram licença sem vencimento de longa duração (pode ir até dez anos) ou exoneração da função pública, um número que era residual em anos anteriores.
Muitos foram trabalhar para o sector privado em exclusivo, algo que quase não acontecia, explica o dirigente do SIM, Carlos Arroz. Houve também 400 médicos que se reformaram no ano passado, um número dentro do normal, desconhecendo-se quantos terão ido para o sector privado, nota o sindicalista.
O modelo da saúde privada está a mudar. Durante anos funcionou com as sobras dos horários dos médicos do público, que trabalhavam de manhã no hospital e à tarde em clínicas. A tendência é hoje para a criação de quadros próprios de médicos e enfermeiros, comenta Téofilo Leite, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada. Roquette, director clínico do Hospital da Luz, diz que dos cerca de 200 médicos que trabalham na unidade, 120 estão em exclusivo. A maior parte tem mais de 55 anos e pediu licença sem vencimento, estava à beira da reforma ou já estava reformada, explica.
Os recrutados em exclusividade não são novatos. Pelo contrário, "vamos buscar cabeças de cartaz", pelo seu "know-how, prestígio", explica Jorge Mineiro, director clínico do Hospital CUF Descobertas (Grupo Mello Saúde), ortopedista que deixou o Hospital de Santa Maria este ano. Mais de metade dos clínicos da unidade estão em exclusivo (são cerca de 60 em 120).
"Pesca à linha" preocupa
Até ao Verão nasce outro gigante da saúde em Lisboa: o Hospital dos Lusíadas, do grupo Hospitais Privados de Portugal. A fase de recrutamento está a decorrer e precisam de cerca de 200 médicos, alguns em exclusividade, revela o presidente do grupo, Luís Vasconcelos. O responsável adianta que escolhem ter quadros próprios em áreas estratégicas ou em equipas que exigem continuidade de assistência, como é o caso dos cuidados intensivos. Vão buscá-los ao sistema público. Mas Luís Vasconcelos afirma que não são os ordenados que atraem médicos com carreira firmada. É a falta de capacidade de atracção do sistema público. A média de idades dos clínicos anda nos 45 a 50 anos e "têm poucas perspectivas de progressão na carreira no [sector] público. Sentem-se pouco motivados a continuar".
É essa também a opinião do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes: "É inexorável o abandono dos médicos. É o resultado da falta de investimento". Quem pensa que estas unidades "roubam médicos à função pública" está a ver o quadro ao contrário, "são as más condições da função pública que fazem as pessoas abandonar o SNS", comenta.
Com a abertura de dois grandes hospitais privados em tão pouco tempo, alguns hospitais ressentiram-se, mas não se está a falar de debandada geral. Existem 24 mil médicos no SNS e o SIM fala de até 500 médicos com licenças sem vencimento e pedidos de exoneração.
José Miguel Boquinhas, presidente do conselho de administração Centro hospitalar de Lisboa Ocidental (que junta o Egas Moniz, o Santa Cruz e o São Francisco Xavier) fala de "saídas pontuais": oito médicos pediram recentemente licença sem vencimento para ir para o privado, em 800.
O presidente do Hospital Geral de Santo António (Porto), Sollari Allegro, diz que nos últimos dois anos saíram 12 oftalmologistas para o privado (um terço do serviço). Não se trata tanto da "quantidade", mas da "qualidade". "A pesca à linha dos melhores médicos e enfermeiros pode provocar alguma pressão sobre os serviços públicos", nota Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. "Não é fácil substituir profissionais de elevada craveira". Mas a separação entre médicos do privado e do público é um bom sinal, defende. "O facto de as pessoas trabalharem ao mesmo tempo nos dois sistemas não é bom para a eficiência [do SNS]"."

segunda-feira, 23 de abril de 2007

"Pare, escute e olhe! Um combóio pode esconder outro!"

Tenho bem presente na memória o que muitos de nós certamente, também lembram, ao atravessar passagens de combóios com cancelas (ou outros pontos de passagens de linhas ferroviárias) - aí se liam: "Pare, escute e olhe! Um combóio pode esconder outro".
E de que me lembra esta passagem, agora que assistimos e lemos largamente sobre mais este episódio mediocratizado das directas do que já não é o CDS, nem tão pouco (parece) o PP do Partido Popular. Mais parece PP de Paulo Portas (em regime de exclusividade ou totemismo personalizado).
Será que o carisma pode justificar tudo isto? Temos que olhar com a adequada atenção que a evolução deste caso socialmente nos merece, sob pena de um combóio estar a passar, embora em sentido contrário, logo por detrás do outro. Que não nos traga surpresas desagradáveis. Chega!
Como se torna pertinente e catalizador este olhar anacrónico e apartidário para as insistências com que a elite pseudo-dominante tenta perfurar o círculo interior das bondades cidadãs, isto é, a esfera de tolerâncias marginalizadas pela manipulação das ignorâncias que se pretendem perpetuadas no trogloditismo dos beatíficos political showmen.
Parafraseando o blogue que me baptizou nestas andanças maldemocráticas, ainda prefiro ouvir as acutilantes deixas da Joni Mitchell (muito provavelmente há já muito alinhada no "eixo do mal"), esperando que, algum dia, toda esta guerra de surdos venha a parar! Como? Ora ouçam:





MITCHELL JONI lyrics

sábado, 14 de abril de 2007

Entre tempestades e alguma bonança

Eu sou. Tu também? ...Todos quantos somos?
Vejo que meu mui citado mestre JAM anda a fazer ver, com bastante razão para isso, que a essência dos problemas de que hoje o país padece não é nova nem tão pouco estranha à nossa tal desdita, qual sina que muitos fados têm na pena do seu canto. Fê-lo, ultimamente, quando citou Ramalho Ortigão (sobre os moços bacharéis), quando evocou "A Queda de um Anjo", em que Camilo satiriza a classe política de há cento e vinte e um anos, ou quando relacionou os factos do poder vigente, já excessivamente media-televisionados, com as sócio-políticas equivalências do que no nosso século XIX ficou historiado. Como ele muito bem é capaz de fazer!
Mas eu não vou recuar tanto no tempo, ao fazer outras tantas referências do que, bibliograficamente, pode servir de leitura aos que pretendem traduzir, não 'em calão', a imagem real do príncipe. Apenas digo que, ao jeito do que já muitos filósofos o fizeram, estes epifenómenos do Poder não têm, na sua essência, nada de novo: são roupagens novas de soluções, muitas, já muito antigas, para problemas quase eternos!
Assim, lembro-me do trabalho publicado pelo meu conterrâneo e companheiro de mestrado em Ciência Política no ISCSP, Artur da Rocha Machado, Poder - Da Estrutura Individual à Construção Mediática (da Autonomia 27): " Tem-se vindo a defender a tese de que o Poder é, por um lado, um produto do próprio homem e que, por outro lado está nele incorporado, correspondendo a um dos seus desejos mais fortes. Se, de facto, a manifestação individual e objectiva dessa característica difere de homem para homem, nem por isso deixa de representar uma mesma intencionalidade. É certo que o amor ao poder pode apresentar diferentes graus de intensidade, o que indica nuns uma propensão para a liderança e noutros, a tendência para a submissão. O primeiro caso caracterizará os indivíduos dotados de autoconfiança, firmeza, convicção e ambição; no segundo caso, tal comportamento indicará uma estratégia adoptada por aqueles que, reconhecendo a sua incapacidade de afirmação, projectam nos outros a quem se submetem a sua própria incapacidade, na suposição que beneficiarão de protecção, de apoio e de que partilharão do poder que for por eles alcançado" (1). E sobre o que este trecho traduz, deixo à leitura e interpretação de cada um!
Lembro-me ainda, numa das pequenas grandes obras que li enquanto estudante de mestrado (2), do texto de Paul Veyne O Indivíduo Atingido No Coração Pelo Poder Público, e que muito traduz da tal imagem que o cidadão tem do Poder, ou do príncipe, de quem o governa, do tal outro que lá está como se fosse o que eu gostaria de ser se lá estivesse, ...! "(...) O que gostaríamos de tentar dizer aqui é que a importância do mecanismo da subjectividade não é menor no domínio político propriamente dito. Vejamos um exemplo da história romana, neste caso Nero. Trata-se de saber porque é que os romanos, ou certos círculos de Roma, derrubaram Nero quando a sua vida privada, que era a principal razão de queixa que contra ele existia, não afectava fosse de que maneira fosse a marcha dos negócios, os interesses económicos, sociais ou internacionais, que permaneciam como sempre ou até evoluíam melhor do que noutras épocas.
Ou, usando outras palavras, esta exposição surgiu de uma perplexidade, a de ouvir alguém dizer-me: «Voto em de Gaulle por causa da dignidade da sua vida privada». constatamos que a imagem de si dos sujeitos do soberano é provavelmente a chave daquilo que se designa por imagem de marca do próprio soberano, carisma, política-espectáculo, imagem do pai, ideologia ou legitimação. Na minha aldeia, que foi sensibilizada no princípio deste século pela luta contra o que se sentia como a autoridade clerical, os votos socialistas devem-se menos ao conteúdo da política socialista do que a uma hostilidade contra o estilo de autoridade gaulista."
Enfim, neste contexto, espero que entretenham com mais esta evocação dos anos 1970, com os Crosby, Stills and Nash.

(1) Ob. cit., pág. 37.
(2) P. Veyne, VVAA, Indivíduo e Poder, edições 70, 1988, pp.10-11.

domingo, 8 de abril de 2007

Nostalgia total

Relembrar, renascer, de novo esperar, ... e continuar a viver!

Nesta semana de arranque após mais um equinócio, de preparação e celebrações pascais, traz-me o Tejo, como quase sempre, ares de memórias de tempos ainda não esquecidos, a configurar o realismo salazareiro com que a sondageocracia quer traduzir a impertinência desta pseudo-democratura dos hipócritas ...! Nesta que já não é a Lisboa de outros tempos, neste país que já não é de tempo algum, em concreta via de extinção! Alguém nos rogou tamanha praga, ou será mesmo aquela tal desdita (sina)?




Entre as alegrias dos reencontros, em imagens, sentimentos e outras fontes de estímulos rejuvenescentes, também se continuam a viver sentimentos de pesar por mais alguém que se vai juntar ao Grande Espírito (para usar uma linguagem que traduza este meu lado mais índio que indígena), como é o caso do sócio de outrora da S. F. R. d'Apolo e ex-trabalhador do antigo Diário Popular Luis Girão - descanse na paz eterna, pois a sua memória será, certamente ainda por muito tempo, relembrada por mais algumas gerações de associados desta resistente colectividade de cultura e recreio.


Também relembro muitos dos momentos que fui passando ao longo dos anos aqui vividos, neste maravilhoso espaço que é o da Costa da Caparica, hoje muito falada por razões tristemente sérias, como aquelas veiculadas pela mediocracia do costume ...! 37 Km de praia, com zonas florestal e RAN, espaços protegidos, privilegiados, como não há a esta distância em nenhuma outra capital do mundo! E por que razões não tem o tratamento territorial ordenador que outras localidades, eventualmente menos valiosas, evidenciam através de obra feita? Será por a respectiva edilidade camarária ser liderada por comunistas?...!

Que este restinho de praia seja, ainda, suficiente para a possibilidade de se fazer algo, neste tempo em que, recordando e renascendo, ouvi na RR este trecho de Billy Joel, tantas vezes ouvido naquelas tardes de Verão aqui passadas, com as costas a gerirem o calor e o sal que este espaço combina particularmente, numa obrigatória comunhão do ser humano com o ser cidadão que então

era possível alcançar!

Agora digam lá se esta não é uma boa para recordação em tempos de renovação (?...!)





JOEL BILLY lyrics

quarta-feira, 28 de março de 2007

Escutando JAM do Outro lado do Atlântico ...

Que venha luz, desse lado de Vera Cruz!
É! Heh! A rima não foi propositada, mas vem mesmo a calhar, como viria mesmo em boa altura uma outra espécie de augúrio para a nossa felicidade. Mas, enquanto tal não nos parece vir acontecendo, vamo-nos contentando com algumas evocações, mesmo que com alguma nostalgia, do que já há muito (tenho-o repetido e continuarei a fazê-lo nesta minha rúbrica sobre libertação através da música) consta do repertório social de queixas contidas nas letras de muitas composições musicais.
Por isso, deixo a JAM, para o outro lado do mar, para aquela parte ainda Unida à armilar sina da nossa estirpe cutural, este bonito e significativo trecho, auspicioso para quem continua a esperar, nessa duradoura esperança de melhores dias (talvez se o cenário ali descrito se concretizasse, quem hoje poderá dizê-lo?), de um outro Sol, de poder ser melhor SER! Oxalá:







MOODY BLUES lyrics

Eu diria 'répétition', ou o "mito do eterno retorno"!

É o que melhor me vem à ideia, para tentar retratar os episódios com que a mediocracia tenta festejar, com fogo de hipocrisia, o desfecho algo insólito (?) ou inesperado (?) deste televisionado concurso dos "Grandes Portugueses", de onde saiu eleito (qual acto eleitoral) o antigo Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar. Mesmo com uma aproximação mais realista dos apontamentos de meu antigo colega AC Pinto, neste artigo do JN (ver link acima).



Para mim, que escolheria o Infante da Escola de Sagres (...), trata-se de uma repetição (do francês 'répétition', acto de redizer, de reiterar, de reflectir os sons, a luz; ensaio, prática repetitiva), termo cujos significados me reportam para os mitos do retorno, cujas manifestações a que assistimos não possam ser mais que esse 'ensaio' geral (colectivo, social) de mais um mítico retorno do tão desejado messias! Tal é a situação social do país, independentemente da formação político-partidária que o governe! É um problema (e este foi o sintoma declarado, já não omitido) de rejeição do sistema!



Vejo que não me engano ao ler algumas na imprensa de ontem, tão fugazes que nem dá para acreditar em tamanha 'amarelice' medriqueira, como autênticos píncaros de hipocrisia envernizada pelo público statu dos emplastros mediocratas: desde os justificadores da História, até aos economistas 'de bancada', que nem José Hermano Saraiva escapou, ao tecer conclusões tão contraditórias como as que sintetizou, como outros, do tipo 'é o reflexo do desconhecimento da nossa História', mas ... consequência do facto de Salazar 'ter sido o único estadista a morrer pobre ..., que soube evitar uma grande guerra, ...' (veja-se o JN de ontem, 26 de Março de 2007).


Prefiro continuar a seguir Mircea Eliade, no seu Mito do Eterno Retorno, quando refere a recusa que as sociedades tradicionais "fazem do tempo histórico e pela nostalgia que elas sentem do tempo mítico das origens", pois, como refere o autor desta distinta obra, "... ao estudarmos essas sociedades tradicionais, surpreendeu-nos sobre tudo um aspecto: a sua revolta contra o tempo concreto, histórico, a sua nostalgia de um regresso periódico ao tempo mítico das origens, à Idade do Ouro. Só descobrimos o significado e a função daquilo a que chamamos «arquétipos e repetição» quando compreendemos a vontade que essas sociedades tinham de recusar o tempo concreto e a sua hostilidade em relação a qualquer tentativa de «história» autónoma, isto é, de história sem regulação arquetípica".



Mas já se vêem alguns a proclamar a falta de educação, do ensino da História em Portugal! Que os portugueses não têm sensibilidade histórica, veja-se, que é apenas o fruto da possível memória recente (ainda que daqui algo se aceite). Mas também não creio que esse seja argumento que colha cabimento na necessária interpretação, explícita e intelectualmente, honesta, que um julgamento imparcial deste evento merece (mesmo não recorrendo a vícios do cientismo): "... Esta recusa não é simplesmente o efeito das tendências conservadoras das sociedades primitivas ... dever-se-á ver nesta depreciação da história, ou seja, dos acontecimentos sem modelo trans-histórico ... uma certa valorização metafísica da existência humana. Mas esta valorização não é, de modo nenhum, a mesma que certas correntes filosóficas pós-hegelianas tentam dar, nomeadamente o marxismo, o historicismo e o existencialismo, depois da descoberta do «homem histórico», do homem que existe na medida em que se faz a si próprio no seio da história." 1

(1) ELIADE, Mircea, O Mito do Eterno Retorno, Introdução, Edições 70, Lisboa, 1984, pp. 11 e 12.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Sobre a memória colectiva, nestes pequenos dias de 'grandes portugueses'

"Dos fracos não reza a história"!!!

Muito teria de recordar, a montante e a jusante da verdade histórica sobre tão ilustre personagem da nossa história colectiva, como é a do ex-Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar (também se pode ver o que hoje diz o meu mui citado mestre JAM): a montante, sobre as causas que permitiram que a exuberância do seu carisma se plasmasse na adesão massissa dos vários quadrantes sócio-ideológicos daqueles tempos de rescaldo da 1ª República (...); a jusante, sobre as consequências que, principalmente a partir do isolamento internacional do regime criado pelo Estado Novo, assim como dos desiquilíbrios internos advindos da obsolescência do respectivo sistema nacional, se fizeram sentir no oportunismo daqueles que o regime então evitava, que mais não são que os mesmos que, hoje, fazem com que, na consciência da maioria dos portugueses, se repita o que em 1926 era inevitável: a chegada de um qualquer 'dom sebastião', qual messias salvador para tamanha catástrofe nacional, que agora também se vive!
Creio-me insuspeito, para os que realmente me conhecem, sobre a minha opinião a respeito deste homem de Estado que foi Salazar. O mesmo já não direi de M. Caetano, se bem que não o contraponha, apenas distinga. Mas daí a Salazar ser o maior português de todos os tempos, ... ?! Não posso esquecer:
- o episódio de 1958 (ao colo de minha saudosa tia-avó Amélia, em Guimarães, tinha eu 4 anos, fugia o povo à frente das investidas a espada da cavalaria da GNR, procurando euforicamente uma porta onde se enfiar, tal o pânico criado na população que então se reuniria para o que deveria ter chegado a ser um comício a favor de Humberto Delgado ...);
- a disciplina antipedagógica que se vivia nas salas de aula, em estabelecimentos de ensino onde o separatismo do género humano criava um pseudo mito da castidade sexual;
- a polícia política que, por eu ter participado em "actividades estudantis subsbersivas para a ordem da Nação", me expulsou do Liceu e me proibiu de estudar em estabelecimentos públicos de ensino; etc.; etc..
Por isso direi, mais uma vez, que estes dias, tão estranhos que já não admira tamanha estranheza (pois a memória colectiva a que, forçosamente, nos fomos habituando, não se compadece com as fraquezas indiduais que o esquecimento constrói), estão nesse contraponto das pseudo-verdades que se querem sobrepôr ao espírito imanente, essa Vontade que está, congenitamente, na personalidade social dos povos.
E, neste contexto, faz-me o presente episódio evocar, também ao jeito historiográfico, a mensagem musicológica deste trecho dos Moody Blues:








MOODY BLUES lyrics

domingo, 11 de março de 2007

Hino às vontades dos tempos

Deambulações de um português em Portugal

Vejo-me entorpecido neste deambular, de atestado médico na mão, entre serviços de saúde, processos disciplinares, a Escola onde exerço e o aconchego de minha casa, para descanso das maleitas que fazem felizes alguns do tal ditirambo ...! Mas como não caí em concreta paranóia, valha-me Deus e me livre de tal diabólica sina, vou trabalhando, mesmo nas condições presentes, nessa promessa de transmitir o resultado de alguns elementos de avaliação aos meus alunos , que são o grande móbil de tão vasto empreendimento, como é o caso desta ministerial missão que é EDUCAR!
E também me vejo nas palavras proferidas sobre estes Horizontes da Academia, e subscrevo, finalmente, o que diz este nosso ex-PM acerca da situação docente, neste sistema de micros anti-sistemas educacioneses:
"Há que continuar a avaliar escolas e professores

Rui Machete
Advogado

Têm-se tornado cada vez mais frequentes os alertas e os apelos para a necessidade de mudança e de mudança rápida em múltiplos sectores da vida portuguesa, se pretendermos não ficar para trás nesta concorrência cada vez maior que a economia e a sociedade globais nos impõem. A médio prazo, o que está em jogo é o bem-estar dos portugueses, mas, ainda mais importante, a sua autonomia cultural e política como povo com uma História longa e rica e uma identidade bem vincada.
Estes desafios exigem capacidade de entender colectivamente as dificuldades e uma vontade firme de as vencer. Implicam também o reconhecer que faz uma enorme diferença querer tomar o destino nas mãos e lutar por objectivos ambiciosos, embora realistas, ou assumir a resignação agridoce da pretensa inevitabilidade do fado.
O voluntarismo animado por uma forte determinação remove montanhas, a apatia do conformismo, do argumento "de que sempre foi assim", gera a incapacidade para progredir.
A educação é, porventura, em Portugal um dos domínios onde melhor se pode observar o contraste entre as duas atitudes: a predominantemente conservadora e a voluntarista, desejosa de modificar estruturas e hábitos anquilosados, e interesses instalados que procuram perpetuar-se a todo o custo.
Mudar é penoso, envolve sacrifícios. É sempre mais cómodo continuar como se tem feito desde há muito, gozar as benesses que o longo tempo e a habituação fazem sentir como naturais e direitos intangíveis.
Para conseguir reformas, mudar, é imprescindível conhecer bem a situação, as deficiências, porque é que as coisas vão mal.
A avaliação das instituições, das suas capacidades de se atingir os objectivos, é, assim, fundamental. A medição dos resultados constitui um ponto essencial dessa avaliação. O ex-governador Jeff Bush, de visita entre nós, em recente conferência sobre a reforma educativa na sua Florida, dizia enfaticamente: "Quem não mede não se preocupa com as coisas." A comparação de resultados entre instituições congéneres representa outro passo essencial nesse processo.
Todos nos recordamos de quão difícil foi, já nos anos 90 do século passado, convencer o Ministério da Educação, temeroso dos sindicatos, a medir a actividade do ensino das escolas, primeiro, a dar a conhecer esses resultados ao público, depois. Foi necessária uma injunção judicial para o conseguir!
Vencida essa primeira etapa, há que ir mais longe: alargar e aprofundar essas medidas e avaliações e, sobretudo, retirar daí resultados em termos de carreira dos professores e das remunerações, e também de oportunidades oferecidas às escolas mais eficientes. E fazê-lo a todos os níveis de ensino: primário, secundário e superior, mesmo que sejam da regedoria de diversos ministros.
O aumento do nível de exigência é sempre tarefa delicada. Algumas injustiças inevitavelmente se cometerão. É preciso, também, ajudar os mais fracos, mas de boa vontade, ou que enfrentem condições económicas adversas. Mas não pode deixar de se prosseguir nas avaliações e daí retirar consequências, sob pena de permanecermos nas inevitáveis mediocridade e ineficiência. Isto, digam o que disserem os beneficiários do statu quo e os sindicatos que os representam.
A actual ministra da Educação criou uma grande esperança. Precisa, é certo, de corrigir alguns erros de comunicação, logo sublinhados com gáudio por quem pretende que tudo fique na mesma. Mas espero que prossiga o caminho que encetou, de bom senso, coragem e seriedade e que não nos desiluda. Deu já algumas provas importantes de que existe razão para confiar."
(o negrito é da responsabilidade do Publicista)
Entretanto, dou de caras com esta relíquia (de 1970!) que vou ouvindo, enquanto trabalho, nas presentes condições, de atestado médico na mão, entre processos disciplinares, a Escola onde trabalho, serviços de saúde e o aconchego de minha casa, tentando cumprir a promessa que fiz ... aos meus alunos!!!




STEVENS CAT lyrics


Beijinhos à minha IRIS, neste 'seu' bonito Domingo de Março!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Eternos ciclos, míticos retornos!

Já tenho evocado, também muito a propósito do que meu mui citado mestre escreve sobre este estado a que o espectáculo chegou, as contingências do inevitável, segundo as muito antigas escrituras políticas platónicas, muito aristotelicamente reformuladas, onde se enunciam as leis da degenerescência da polis, sem entrar em plágio desse Mito do Eterno Retorno, do grande Mircea Eliade.
Hoje, e já depois de ter lido mais algumas de meu supra citado mestre (e a respeito da de hoje), não posso deixar de passar mais uma evocação ao malogrado Jim Morrison, quando este seu desabafo nos induz numa celestial celebração de tudo quanto são os infortúnios que, constantemente, vemos estarem a assolar o quotidiano das nossas vidas. Apenas com um senão: estes dias que temos evocado já não são, assim, tão estranhos (...)!!!
Aqui vos deixo, então, mais esta de 1967 (poderia ser de 2067 ?):







DOORS, THE lyrics

terça-feira, 6 de março de 2007

Em busca do equilíbrio perdido (!?)

Nestes tempos de grandes encruzilhadas, resta-nos, ainda, a esperança que, nas décadas de 60 e 70, tinha começado a fazer a tão "evitada" mas esperada revolução. Se nunca aconteceu, é porque não há povo que a mereça, pois não é por falta de evocação das razões e, muito mais ainda, não é por não terem sido sublimadas essas razões ao mais alto nível do espírito dos interessados que as mensagens de mudança não foram devidamente assimiladas.


Veja-se, a título de exemplo, hoje aqui com esta dos Moody Blues (Question Of Balance - 1970), como já se gritavam (a fazer ecos de inconformismo) os males 'de alma' (social?) que, hoje, parecem estar, simplesmemte ... na moda! Por outras palavras, parafraseando meu mui citado mestre JAM, a felicidade ainda não consta das Constituições? Porquê?







MOODY BLUES lyrics


PS: Para quem seguir a tentação de fazer a tradução da letra, aconselha-se a não o fazer na versão 'em calão', para usar uma expressão frequentemente tida a propósito de algumas mentes hiper esclarecidas! Nestes casos dispensa-se a tradução, ou mesmo a letra, ou mesmo a mensagem ... dispensa-se tudo, pois esses já não precisam de nada ... (?) ... nunca precisaram de nada!!! «Eles têm tudo, eles têm tudo, eles têm tudo e não vêm nada» (!?)
(Letra retirada do Goggle)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Depois do Inconformismo

Nem todos os que pensam e se dizem de esquerda têm, forçosamente, de o ser. E isso não tem de ser anormal, em si mesmo. Anormal é quando, não o pensando, diz-se sê-lo, fazendo parecer aquilo que não se é. Isso é logro! Isso é socialmente indecente!
É assim que eu vivi a semana que passou, de recordação de José Afonso (o tal 'Zeca' que, para muitos que só passaram a ouvir a Grândola Vila Morena depois de 26 de Novembro de 1975, parece ser propriedade dessa tal esqueda ciumenteira), sem deixar de evocar outras músicas que pertencem, certamente, ao mesmo repertório de queixas, quais lamentações evocadoras do sagrado direito de qualquer povo, sentindo a "essência da existência", exaltar 'a sabedoria e a humildade'.
"Polenta
Allusion aux chants sacrés où le spiritual est emprent de sagesse populaire et d’humilité. À l’image de ce plat du pauvre qu’est la ‘qalantiqa', sorte de flan oranais (que l’on connaît également à Alger sous le nom de “carentita”) à base de poudre de pois-chiche et d’oeufs. Musicalement, on retrouve le mode chaâbi (populaire de la casbah), un clin d’oeil à l’Orient à travers le qanûn-cithare et un final sous forme de “daqqa marrakchia” (batements frénétiques dês mains)."