Mostrar mensagens com a etiqueta Musicologia da Libertação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Musicologia da Libertação. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de junho de 2007

Leonard Cohen

Também eu tinha os meus 16 anos quando ouvi, pela 1ª vez, L. Cohen, talvez do "Songs From a Room" (Story of Isaac ou You Know Who I Am), e marcaram a detecção da minha carência por algo que, psico-socialmente, me 'anestesiasse' e seduzisse. Passaram muitos anos, depois daqueles tripantes anos 71/ 72, passando por Paris, Caen, Isle of Man, Bruxelas e, qual Xangri La, a querida e reminiscente Amsterdam. De regresso a Lisboa, o sonho torna-se, mais uma vez, fantasia ou pesadelo, mesmo passando pelas ilusórias esperanças da 'revolução' (?) abrilista, em 74.



E porque integro este autor na "Musicologia da Libertação"? De entre as várias e múltiplas razões (estéticas: da sua música, pelo sincronismo revolucionário, explícito e implícito, dos seus poemas; personalistas: pela transposição corajosamente assumida, mas serena e transparente, das suas interpretações das contingências existênciais para as suas composições, literárias e musicais; etc.), encontrei este texto na WEB sobre o autor, que me parece sintetizar o mais importante dele:

"O mundo precisa de amor, ok? Humm, entre outras coisas, pode ser que sim, pode ser que não. Na verdade, o mundo precisa tomar vergonha na cara, assumir seus erros, deixar de choramingar pelos cantos, acreditar em um futuro melhor, e parar de reclamar enquanto este futuro não se transforma em realidade. E ouvir Leonard Cohen. Ele não é o mais feliz dos caras que já pisaram no Planeta Terra (na verdade, ele deve estar nos últimos lugares da fila, se preparando para apagar o luz quando a Terra dizer adeus para o resto do espaço), mas sabe falar de amor, se apaixonar, reclamar e sofrer com uma dignidade rara em tempos de relacionamentos politicamente corretos.

Quando decidiu ser cantor, em 1967, Leonard Cohen já vinha de uma elogiada carreira como poeta. Ao se lançar no mundo pop com folk songs que exalavam amor e ódio, Cohen abria um território novo para a literatura, e esta iniciação se deu, principalmente, com a trilogia de álbuns que chega agora, remasterizada, ao mercado, visando comemorar os 40 anos do primeiro disco do poeta canadense. "Songs of Leonard Cohen" (1967), "Songs From a Room" (1969) e "Songs of Love and Hate" (1971) trazem tudo o que você precisa ouvir de Leonard Cohen, não desmerecendo a discografia posterior, que deve ser redescoberta após essa apresentação inicial.

A história toda começa com o quase best of "Songs of Leonard Cohen", álbum que traz canções emblemáticas como "Suzanne", "Sisters of Mercy", "So Long, Marianne" e "Hey, That's No Way To Say Goodbye". Cohen canta de forma jovial nesta estréia, modo que ele iria abandonar nos álbuns posteriores em favorecimento de um modelo grave de cantar. A tristeza está presente, mas o encantamento é notável desde os primeiros acordes de "Suzanne", canção que narra a paixão real do poeta por uma mulher casada, até seu encerramento, com "One of Us Cannot Be Wrong", que traz o personagem da letra exibindo seu coração a um doutor, que prescreve o nome da amada como cura para todo seu sofrimento. Nesta reedição, duas bônus das mesmas sessões do álbum: "Store Room" e "Blessed Is The Memory", que ao contrário das dez faixas do disco, essencialmente acústicas, trazem bateria, guitarra e órgão hammond.

"Songs From a Room" inicia o processo de rendição ao desespero que se concluirá (e persistirá aqui e acolá na obra musical do bardo) com o álbum seguinte, "Songs Of Love and Hate". A produção dos dois álbuns, a cargo de Bob Johnston, torna o som mais grandioso com o acréscimo de cordas, contrabaixo, guitarra e efeitos. Cohen praticamente se esconde na capa de "Songs From a Room", que traz faixas luminosas como "Bird on the Wire", "The Butcher", "The Partisan" e "Tonight Will Be Fine". Como bônus dessa edição, demos de "Bird on the Wire" (sem as cordas) e "You Know Who I Am", que nada acrescentam a obra, mas servem como curiosidade em um belíssimo álbum que funciona como ponte de ligação entre o acanhado compositor da estréia e o dramático interprete que surge no álbum seguinte.

O fundo do poço coheniano encontra-se no poderoso "Songs Of Love and Hate". A voz cavernosa do poeta se faz notar logo na faixa de abertura, "Avalanche" (não a toa, regravada por Nick Cave), cuja letra diz: "Você que deseja conquistar a dor, deve aprender o que me faz amável / as migalhas do amor que você me oferece, são as migalhas que eu deixei atrás / sua dor não é nenhuma credencial aqui, é apenas a sombra, sombra de minha ferida". "Dress Rehearsal Rag" aparece em sua versão original, do ano anterior, inferior a oficial presente em "Songs Of Love and Hate". Já "Famous Blues Raincoat" (uma das cinco músicas preferidas de Ian McCulloch, Echo and The Bunnymen, em todos os tempos) exibe o caráter pessoal do disco: o poeta termina a letra assinando "Sinceramente, L. Cohen". Há aqui – mais do que nos dois álbuns anteriores – uma ironia que brilha tanto quanto a dor (seja na capa, que traz um Cohen barbudo e rindo abaixo do título "Canções de Amor e Ódio"; seja nas letras, como na brincadeira dos versos de "Love Calls You By Your Name").

Além de boa música, nestes três álbuns que chegam remasterizados às lojas, a poesia de Leonard Cohen (hoje com 72 anos) ganha um acompanhamento especial: letras (ou poesias, como queira, leitor) desenhos de próprio punho e fotos de época selecionadas pelo próprio poeta. E um texto ilustrativo, que analisa a produção de cada um dos três discos, assinado por Anthony DeCurtis, editor da Rolling Stone americana. "Songs of Leonard Cohen", "Songs From a Room" e "Songs of Love and Hate" servem para explicar a devoção de gente como Michael Stipe (R.E.M.), Bono (U2), Jarvis Cocker (Pulp), Nick Cave, Morrissey, Ian McCulloch, Renato Russo (que gravou uma versão de "Hey, That's No Way To Say Goodbye", registrada no CD póstumo "O Último Solo") e Jeff Buckley a este homem. O mundo precisa de amor, ok. Mas de ódio também. Não sejamos cínicos. Ou melhor: sejamos. Leonard Cohen viu o futuro, leitor: é violento. Preste muita atenção nesse homem, e olhe dos dois lados quando for atravessar a rua.

No entanto, ainda naquela procura dei de caras com outras observações, também elucidativas de outros aspectos desta personalidade singular:

"Leonard Cohen tinha 15 anos quando conheceu um imigrante espanhol que lhe ensinou através dos sons de um violão, a conquistar o coração das mulheres. Esse professor suicidou-se semanas depois ensinando a derradeira lição ao jovem Cohen. Algum tempo depois, Leonard tocava nos Buckskin Boys e escrevia poemas.
(…)
Leonard Cohen não é um cantor de fácil assimilação às primeiras audições. As canções de Cohen são drogas pesadas, dopantes. A sua voz, monocórdica, e o instrumental, sem ornatos, não colaboram a princípio. Mas para quem se dispuser a enfrentar o estranhamento inicial, a colheita será abundante. Talvez, valha dizer que gente como Michael Stipe, Bono, Nick Cave e Frank Black sejam fãs confessos. Ian McCulloch, em entrevista ao S&Y, por exemplo, colocou uma canção de Cohen na sua listinha de cinco preferidas de todos os tempos e confessou, em outra entrevista, tremer ao se imaginar conversando com o bardo."

(Nos lista do finetune da barra lateral poderá ouvir alguns dos trechos referidos do autor)

sábado, 12 de maio de 2007

Tempos pródigos

Estou mais uma vez em Lisboa, neste baixo de astral que, sintomaticamente, reagiu bem à passagem pela região de Fátima, esse pacífico lugar de elevação dos espíritos ao Céu (com Maria ou, mesmo, para os que com Ela não convivem. Se não na ideia, há sempre lugar para a comunhão do espírito, pois ... vale bem a pena, "quando a alma não é pequena"!)
É neste contexto de evocação anímica, a puxar para a efeméride que marca um dos 'cantos' mais profundos da nossa cultura (mariana), que gostaria de exortar a sublime sensação de bem-estar que pode causar este trecho musical, bem ao gosto e dentro da aura que neste momento centenas de milhar de pessoas estarão a viver lá para aqueles lados de ... Fátima!

Neste mês que é

do coração

da Mãe

das flores

de Vénus

de Adriano

da chuva abençada

do recomeço da vida!

da Mãe Natureza!

Obrigado


Ave Maria (Schubert)


terça-feira, 1 de maio de 2007

The Windows of the World

Se na presente conjuntura (nacional e internacional) há um dia que deve ser lembrado em colectiva manifestação contestatária é este, dia 1º de Maio, dito há já 120 anos em todo o Mundo, do trabalhador, tal é o estado a que esta fundamental condição social nos tem conduzido!
E, porque hoje está chovendo ... talvez seja Deus, poeticamente, a querer rimar lágrimas de chuva com tristeza, quando deveria haver sol e alegria! O que não me permite evitar, com qualquer das volitivas células da minha consciência, a pública recomendação ao Governo que nos desgoverna, deste lindíssimo trecho dos anos 60, composto por Burt Bacharach e Hal David, supremamente interpretado por Isaac Hayes numa gravação ao vivo no lago Tahoe, no Nevada (álbum editado em 1973), aqui interpretado por Dionne Warwick - The Windows of the World.
Mais uma vez aconselho a traduzir a letra numa versão que não seja 'em calão', sob pena de alguns politicómanos saloizarentos pensarem que se trata de algum ritual da chuva. Nese sentido, convém atender à conjuntura internacional da época. (Para os mais interessados sugere-se uma pesquisa que se consubstancie em algo um pouco mais profundo que 'uma página A4').




DIONNE WARWICK lyrics

sábado, 28 de abril de 2007

Como um extenso hino de queixas

Ainda em rescaldo deste 33º aniversário do 25 de Abril
Mesmo com direito a transmissão a espectáculo TV q.b., vem o nosso PM berrar em defesa da saúde da 'nossa' (?) democracia, bem "oxigenada", ao contrário da "falta de ar" da oposição, mancha luso-partidária de largo espectro no republicano centrão parlamentar, de cujo actual líder viriam, replicadamente, as teatrais exibições de uma "coragem" que não admitia lições de "Sua Exª o Sr. PM".
Entretanto, levanta-se PP, como uma voz midiocraticamente conhecida pelo agendamento da propaganda, mas já inaudita da parte dextra do hemiciclo, em tons de estética e indumentária novecentista com tiques de fidalguia, a prometer a 'vigilância' que as alegadas ministeriais proposituras mereceriam por parte de tão casta bancada.
Da esquerda, nada de novo. Certamente muitos ainda esperam por aquilo que não gostam de ver atribuidos, apenas, à "família" da direita.
E as nomeações continuam. E o controle aumenta. A opressão também. E a degradação do nível de vida exponencialmente também. Sem qualidade nem dó. Em total impunidade. A paranóia colectiva é o diagnóstico que se segue. Sem apelo nem agravo. Até quando
E, lá fora, nas ruas deste país de bananas importadas, com selo de garantia CE, ainda crescem as ameaças contínuas à base social (as famílias), e por isso há décadas que se ouvem os gritos deste fenómeno pandémico:





KING CRIMSON lyrics

quarta-feira, 25 de abril de 2007

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!"

Sem fetichismos! Nem ironia, hipócrita ou não! Apenas um acumular de reminiscências que a comemoração desta data me traz, numa altura em que se viviam vidas com as emoções em perfeita comunhão com a inteligibilidade das sensações. Ou seja, desejava-se viver segundo aquilo em que se acreditava, como eu sou daqueles que ainda acredita, que o amor é o domínio da perfeita harmonia da razão com o coração!
Sem rancores pelo reiterado gande desgosto que a evolução sem visíveis progressos sociais tem causado a muitos dos jovens de então que, como eu, também sofreram na vida com o combate que travaram por uma sociedade mais justa e fraterna, este ano não escolho trecho do José Afonso (de quem viriam certamente uns quantos muito bons) ou de outro Zeca de qualquer esquerditice ciumeira (pois há-os muitos por aí para quem José Afonso é o ícone dos pobres e injustiçados, e de mais ninguém, em regime de propriedade privada da esquerda e não como expoente da cultura popular portuguesa do século XX).
Não. Há muito que não vou por aí, apesar de compreender que, cada vez mais, as razões de muitos os leve a permanecer em tão nebulosa pasmaceira melancólico-cerebral, com as ideias em aparente estado de catatonia. Prefiro a manifestação artística da música que me evoque a natural paixão e o desejo de me entregar a algo intemporal, existencialmente conducente à contemplação do que a razão humana tem assimilado como o mais sublime da Criação: o ser humano!
Esperando que este 33º aniversário não signifique, portanto, a idade em que, de vez, se liquidem as aspirações ao verdadeiro progresso sócio-humano do povo português (que Cristo não sirva para esse fetichismo), deixo no ar o estímulo que, em muitos da minha geração, este trecho musical constituiu na busca da felicidade:




SLEDGE PERCY lyrics

segunda-feira, 23 de abril de 2007

"Pare, escute e olhe! Um combóio pode esconder outro!"

Tenho bem presente na memória o que muitos de nós certamente, também lembram, ao atravessar passagens de combóios com cancelas (ou outros pontos de passagens de linhas ferroviárias) - aí se liam: "Pare, escute e olhe! Um combóio pode esconder outro".
E de que me lembra esta passagem, agora que assistimos e lemos largamente sobre mais este episódio mediocratizado das directas do que já não é o CDS, nem tão pouco (parece) o PP do Partido Popular. Mais parece PP de Paulo Portas (em regime de exclusividade ou totemismo personalizado).
Será que o carisma pode justificar tudo isto? Temos que olhar com a adequada atenção que a evolução deste caso socialmente nos merece, sob pena de um combóio estar a passar, embora em sentido contrário, logo por detrás do outro. Que não nos traga surpresas desagradáveis. Chega!
Como se torna pertinente e catalizador este olhar anacrónico e apartidário para as insistências com que a elite pseudo-dominante tenta perfurar o círculo interior das bondades cidadãs, isto é, a esfera de tolerâncias marginalizadas pela manipulação das ignorâncias que se pretendem perpetuadas no trogloditismo dos beatíficos political showmen.
Parafraseando o blogue que me baptizou nestas andanças maldemocráticas, ainda prefiro ouvir as acutilantes deixas da Joni Mitchell (muito provavelmente há já muito alinhada no "eixo do mal"), esperando que, algum dia, toda esta guerra de surdos venha a parar! Como? Ora ouçam:





MITCHELL JONI lyrics

sábado, 14 de abril de 2007

Entre tempestades e alguma bonança

Eu sou. Tu também? ...Todos quantos somos?
Vejo que meu mui citado mestre JAM anda a fazer ver, com bastante razão para isso, que a essência dos problemas de que hoje o país padece não é nova nem tão pouco estranha à nossa tal desdita, qual sina que muitos fados têm na pena do seu canto. Fê-lo, ultimamente, quando citou Ramalho Ortigão (sobre os moços bacharéis), quando evocou "A Queda de um Anjo", em que Camilo satiriza a classe política de há cento e vinte e um anos, ou quando relacionou os factos do poder vigente, já excessivamente media-televisionados, com as sócio-políticas equivalências do que no nosso século XIX ficou historiado. Como ele muito bem é capaz de fazer!
Mas eu não vou recuar tanto no tempo, ao fazer outras tantas referências do que, bibliograficamente, pode servir de leitura aos que pretendem traduzir, não 'em calão', a imagem real do príncipe. Apenas digo que, ao jeito do que já muitos filósofos o fizeram, estes epifenómenos do Poder não têm, na sua essência, nada de novo: são roupagens novas de soluções, muitas, já muito antigas, para problemas quase eternos!
Assim, lembro-me do trabalho publicado pelo meu conterrâneo e companheiro de mestrado em Ciência Política no ISCSP, Artur da Rocha Machado, Poder - Da Estrutura Individual à Construção Mediática (da Autonomia 27): " Tem-se vindo a defender a tese de que o Poder é, por um lado, um produto do próprio homem e que, por outro lado está nele incorporado, correspondendo a um dos seus desejos mais fortes. Se, de facto, a manifestação individual e objectiva dessa característica difere de homem para homem, nem por isso deixa de representar uma mesma intencionalidade. É certo que o amor ao poder pode apresentar diferentes graus de intensidade, o que indica nuns uma propensão para a liderança e noutros, a tendência para a submissão. O primeiro caso caracterizará os indivíduos dotados de autoconfiança, firmeza, convicção e ambição; no segundo caso, tal comportamento indicará uma estratégia adoptada por aqueles que, reconhecendo a sua incapacidade de afirmação, projectam nos outros a quem se submetem a sua própria incapacidade, na suposição que beneficiarão de protecção, de apoio e de que partilharão do poder que for por eles alcançado" (1). E sobre o que este trecho traduz, deixo à leitura e interpretação de cada um!
Lembro-me ainda, numa das pequenas grandes obras que li enquanto estudante de mestrado (2), do texto de Paul Veyne O Indivíduo Atingido No Coração Pelo Poder Público, e que muito traduz da tal imagem que o cidadão tem do Poder, ou do príncipe, de quem o governa, do tal outro que lá está como se fosse o que eu gostaria de ser se lá estivesse, ...! "(...) O que gostaríamos de tentar dizer aqui é que a importância do mecanismo da subjectividade não é menor no domínio político propriamente dito. Vejamos um exemplo da história romana, neste caso Nero. Trata-se de saber porque é que os romanos, ou certos círculos de Roma, derrubaram Nero quando a sua vida privada, que era a principal razão de queixa que contra ele existia, não afectava fosse de que maneira fosse a marcha dos negócios, os interesses económicos, sociais ou internacionais, que permaneciam como sempre ou até evoluíam melhor do que noutras épocas.
Ou, usando outras palavras, esta exposição surgiu de uma perplexidade, a de ouvir alguém dizer-me: «Voto em de Gaulle por causa da dignidade da sua vida privada». constatamos que a imagem de si dos sujeitos do soberano é provavelmente a chave daquilo que se designa por imagem de marca do próprio soberano, carisma, política-espectáculo, imagem do pai, ideologia ou legitimação. Na minha aldeia, que foi sensibilizada no princípio deste século pela luta contra o que se sentia como a autoridade clerical, os votos socialistas devem-se menos ao conteúdo da política socialista do que a uma hostilidade contra o estilo de autoridade gaulista."
Enfim, neste contexto, espero que entretenham com mais esta evocação dos anos 1970, com os Crosby, Stills and Nash.

(1) Ob. cit., pág. 37.
(2) P. Veyne, VVAA, Indivíduo e Poder, edições 70, 1988, pp.10-11.

domingo, 8 de abril de 2007

Nostalgia total

Relembrar, renascer, de novo esperar, ... e continuar a viver!

Nesta semana de arranque após mais um equinócio, de preparação e celebrações pascais, traz-me o Tejo, como quase sempre, ares de memórias de tempos ainda não esquecidos, a configurar o realismo salazareiro com que a sondageocracia quer traduzir a impertinência desta pseudo-democratura dos hipócritas ...! Nesta que já não é a Lisboa de outros tempos, neste país que já não é de tempo algum, em concreta via de extinção! Alguém nos rogou tamanha praga, ou será mesmo aquela tal desdita (sina)?




Entre as alegrias dos reencontros, em imagens, sentimentos e outras fontes de estímulos rejuvenescentes, também se continuam a viver sentimentos de pesar por mais alguém que se vai juntar ao Grande Espírito (para usar uma linguagem que traduza este meu lado mais índio que indígena), como é o caso do sócio de outrora da S. F. R. d'Apolo e ex-trabalhador do antigo Diário Popular Luis Girão - descanse na paz eterna, pois a sua memória será, certamente ainda por muito tempo, relembrada por mais algumas gerações de associados desta resistente colectividade de cultura e recreio.


Também relembro muitos dos momentos que fui passando ao longo dos anos aqui vividos, neste maravilhoso espaço que é o da Costa da Caparica, hoje muito falada por razões tristemente sérias, como aquelas veiculadas pela mediocracia do costume ...! 37 Km de praia, com zonas florestal e RAN, espaços protegidos, privilegiados, como não há a esta distância em nenhuma outra capital do mundo! E por que razões não tem o tratamento territorial ordenador que outras localidades, eventualmente menos valiosas, evidenciam através de obra feita? Será por a respectiva edilidade camarária ser liderada por comunistas?...!

Que este restinho de praia seja, ainda, suficiente para a possibilidade de se fazer algo, neste tempo em que, recordando e renascendo, ouvi na RR este trecho de Billy Joel, tantas vezes ouvido naquelas tardes de Verão aqui passadas, com as costas a gerirem o calor e o sal que este espaço combina particularmente, numa obrigatória comunhão do ser humano com o ser cidadão que então

era possível alcançar!

Agora digam lá se esta não é uma boa para recordação em tempos de renovação (?...!)





JOEL BILLY lyrics

quarta-feira, 28 de março de 2007

Escutando JAM do Outro lado do Atlântico ...

Que venha luz, desse lado de Vera Cruz!
É! Heh! A rima não foi propositada, mas vem mesmo a calhar, como viria mesmo em boa altura uma outra espécie de augúrio para a nossa felicidade. Mas, enquanto tal não nos parece vir acontecendo, vamo-nos contentando com algumas evocações, mesmo que com alguma nostalgia, do que já há muito (tenho-o repetido e continuarei a fazê-lo nesta minha rúbrica sobre libertação através da música) consta do repertório social de queixas contidas nas letras de muitas composições musicais.
Por isso, deixo a JAM, para o outro lado do mar, para aquela parte ainda Unida à armilar sina da nossa estirpe cutural, este bonito e significativo trecho, auspicioso para quem continua a esperar, nessa duradoura esperança de melhores dias (talvez se o cenário ali descrito se concretizasse, quem hoje poderá dizê-lo?), de um outro Sol, de poder ser melhor SER! Oxalá:







MOODY BLUES lyrics

segunda-feira, 26 de março de 2007

Sobre a memória colectiva, nestes pequenos dias de 'grandes portugueses'

"Dos fracos não reza a história"!!!

Muito teria de recordar, a montante e a jusante da verdade histórica sobre tão ilustre personagem da nossa história colectiva, como é a do ex-Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar (também se pode ver o que hoje diz o meu mui citado mestre JAM): a montante, sobre as causas que permitiram que a exuberância do seu carisma se plasmasse na adesão massissa dos vários quadrantes sócio-ideológicos daqueles tempos de rescaldo da 1ª República (...); a jusante, sobre as consequências que, principalmente a partir do isolamento internacional do regime criado pelo Estado Novo, assim como dos desiquilíbrios internos advindos da obsolescência do respectivo sistema nacional, se fizeram sentir no oportunismo daqueles que o regime então evitava, que mais não são que os mesmos que, hoje, fazem com que, na consciência da maioria dos portugueses, se repita o que em 1926 era inevitável: a chegada de um qualquer 'dom sebastião', qual messias salvador para tamanha catástrofe nacional, que agora também se vive!
Creio-me insuspeito, para os que realmente me conhecem, sobre a minha opinião a respeito deste homem de Estado que foi Salazar. O mesmo já não direi de M. Caetano, se bem que não o contraponha, apenas distinga. Mas daí a Salazar ser o maior português de todos os tempos, ... ?! Não posso esquecer:
- o episódio de 1958 (ao colo de minha saudosa tia-avó Amélia, em Guimarães, tinha eu 4 anos, fugia o povo à frente das investidas a espada da cavalaria da GNR, procurando euforicamente uma porta onde se enfiar, tal o pânico criado na população que então se reuniria para o que deveria ter chegado a ser um comício a favor de Humberto Delgado ...);
- a disciplina antipedagógica que se vivia nas salas de aula, em estabelecimentos de ensino onde o separatismo do género humano criava um pseudo mito da castidade sexual;
- a polícia política que, por eu ter participado em "actividades estudantis subsbersivas para a ordem da Nação", me expulsou do Liceu e me proibiu de estudar em estabelecimentos públicos de ensino; etc.; etc..
Por isso direi, mais uma vez, que estes dias, tão estranhos que já não admira tamanha estranheza (pois a memória colectiva a que, forçosamente, nos fomos habituando, não se compadece com as fraquezas indiduais que o esquecimento constrói), estão nesse contraponto das pseudo-verdades que se querem sobrepôr ao espírito imanente, essa Vontade que está, congenitamente, na personalidade social dos povos.
E, neste contexto, faz-me o presente episódio evocar, também ao jeito historiográfico, a mensagem musicológica deste trecho dos Moody Blues:








MOODY BLUES lyrics

domingo, 11 de março de 2007

Hino às vontades dos tempos

Deambulações de um português em Portugal

Vejo-me entorpecido neste deambular, de atestado médico na mão, entre serviços de saúde, processos disciplinares, a Escola onde exerço e o aconchego de minha casa, para descanso das maleitas que fazem felizes alguns do tal ditirambo ...! Mas como não caí em concreta paranóia, valha-me Deus e me livre de tal diabólica sina, vou trabalhando, mesmo nas condições presentes, nessa promessa de transmitir o resultado de alguns elementos de avaliação aos meus alunos , que são o grande móbil de tão vasto empreendimento, como é o caso desta ministerial missão que é EDUCAR!
E também me vejo nas palavras proferidas sobre estes Horizontes da Academia, e subscrevo, finalmente, o que diz este nosso ex-PM acerca da situação docente, neste sistema de micros anti-sistemas educacioneses:
"Há que continuar a avaliar escolas e professores

Rui Machete
Advogado

Têm-se tornado cada vez mais frequentes os alertas e os apelos para a necessidade de mudança e de mudança rápida em múltiplos sectores da vida portuguesa, se pretendermos não ficar para trás nesta concorrência cada vez maior que a economia e a sociedade globais nos impõem. A médio prazo, o que está em jogo é o bem-estar dos portugueses, mas, ainda mais importante, a sua autonomia cultural e política como povo com uma História longa e rica e uma identidade bem vincada.
Estes desafios exigem capacidade de entender colectivamente as dificuldades e uma vontade firme de as vencer. Implicam também o reconhecer que faz uma enorme diferença querer tomar o destino nas mãos e lutar por objectivos ambiciosos, embora realistas, ou assumir a resignação agridoce da pretensa inevitabilidade do fado.
O voluntarismo animado por uma forte determinação remove montanhas, a apatia do conformismo, do argumento "de que sempre foi assim", gera a incapacidade para progredir.
A educação é, porventura, em Portugal um dos domínios onde melhor se pode observar o contraste entre as duas atitudes: a predominantemente conservadora e a voluntarista, desejosa de modificar estruturas e hábitos anquilosados, e interesses instalados que procuram perpetuar-se a todo o custo.
Mudar é penoso, envolve sacrifícios. É sempre mais cómodo continuar como se tem feito desde há muito, gozar as benesses que o longo tempo e a habituação fazem sentir como naturais e direitos intangíveis.
Para conseguir reformas, mudar, é imprescindível conhecer bem a situação, as deficiências, porque é que as coisas vão mal.
A avaliação das instituições, das suas capacidades de se atingir os objectivos, é, assim, fundamental. A medição dos resultados constitui um ponto essencial dessa avaliação. O ex-governador Jeff Bush, de visita entre nós, em recente conferência sobre a reforma educativa na sua Florida, dizia enfaticamente: "Quem não mede não se preocupa com as coisas." A comparação de resultados entre instituições congéneres representa outro passo essencial nesse processo.
Todos nos recordamos de quão difícil foi, já nos anos 90 do século passado, convencer o Ministério da Educação, temeroso dos sindicatos, a medir a actividade do ensino das escolas, primeiro, a dar a conhecer esses resultados ao público, depois. Foi necessária uma injunção judicial para o conseguir!
Vencida essa primeira etapa, há que ir mais longe: alargar e aprofundar essas medidas e avaliações e, sobretudo, retirar daí resultados em termos de carreira dos professores e das remunerações, e também de oportunidades oferecidas às escolas mais eficientes. E fazê-lo a todos os níveis de ensino: primário, secundário e superior, mesmo que sejam da regedoria de diversos ministros.
O aumento do nível de exigência é sempre tarefa delicada. Algumas injustiças inevitavelmente se cometerão. É preciso, também, ajudar os mais fracos, mas de boa vontade, ou que enfrentem condições económicas adversas. Mas não pode deixar de se prosseguir nas avaliações e daí retirar consequências, sob pena de permanecermos nas inevitáveis mediocridade e ineficiência. Isto, digam o que disserem os beneficiários do statu quo e os sindicatos que os representam.
A actual ministra da Educação criou uma grande esperança. Precisa, é certo, de corrigir alguns erros de comunicação, logo sublinhados com gáudio por quem pretende que tudo fique na mesma. Mas espero que prossiga o caminho que encetou, de bom senso, coragem e seriedade e que não nos desiluda. Deu já algumas provas importantes de que existe razão para confiar."
(o negrito é da responsabilidade do Publicista)
Entretanto, dou de caras com esta relíquia (de 1970!) que vou ouvindo, enquanto trabalho, nas presentes condições, de atestado médico na mão, entre processos disciplinares, a Escola onde trabalho, serviços de saúde e o aconchego de minha casa, tentando cumprir a promessa que fiz ... aos meus alunos!!!




STEVENS CAT lyrics


Beijinhos à minha IRIS, neste 'seu' bonito Domingo de Março!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Eternos ciclos, míticos retornos!

Já tenho evocado, também muito a propósito do que meu mui citado mestre escreve sobre este estado a que o espectáculo chegou, as contingências do inevitável, segundo as muito antigas escrituras políticas platónicas, muito aristotelicamente reformuladas, onde se enunciam as leis da degenerescência da polis, sem entrar em plágio desse Mito do Eterno Retorno, do grande Mircea Eliade.
Hoje, e já depois de ter lido mais algumas de meu supra citado mestre (e a respeito da de hoje), não posso deixar de passar mais uma evocação ao malogrado Jim Morrison, quando este seu desabafo nos induz numa celestial celebração de tudo quanto são os infortúnios que, constantemente, vemos estarem a assolar o quotidiano das nossas vidas. Apenas com um senão: estes dias que temos evocado já não são, assim, tão estranhos (...)!!!
Aqui vos deixo, então, mais esta de 1967 (poderia ser de 2067 ?):







DOORS, THE lyrics

terça-feira, 6 de março de 2007

Em busca do equilíbrio perdido (!?)

Nestes tempos de grandes encruzilhadas, resta-nos, ainda, a esperança que, nas décadas de 60 e 70, tinha começado a fazer a tão "evitada" mas esperada revolução. Se nunca aconteceu, é porque não há povo que a mereça, pois não é por falta de evocação das razões e, muito mais ainda, não é por não terem sido sublimadas essas razões ao mais alto nível do espírito dos interessados que as mensagens de mudança não foram devidamente assimiladas.


Veja-se, a título de exemplo, hoje aqui com esta dos Moody Blues (Question Of Balance - 1970), como já se gritavam (a fazer ecos de inconformismo) os males 'de alma' (social?) que, hoje, parecem estar, simplesmemte ... na moda! Por outras palavras, parafraseando meu mui citado mestre JAM, a felicidade ainda não consta das Constituições? Porquê?







MOODY BLUES lyrics


PS: Para quem seguir a tentação de fazer a tradução da letra, aconselha-se a não o fazer na versão 'em calão', para usar uma expressão frequentemente tida a propósito de algumas mentes hiper esclarecidas! Nestes casos dispensa-se a tradução, ou mesmo a letra, ou mesmo a mensagem ... dispensa-se tudo, pois esses já não precisam de nada ... (?) ... nunca precisaram de nada!!! «Eles têm tudo, eles têm tudo, eles têm tudo e não vêm nada» (!?)
(Letra retirada do Goggle)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Depois do Inconformismo

Nem todos os que pensam e se dizem de esquerda têm, forçosamente, de o ser. E isso não tem de ser anormal, em si mesmo. Anormal é quando, não o pensando, diz-se sê-lo, fazendo parecer aquilo que não se é. Isso é logro! Isso é socialmente indecente!
É assim que eu vivi a semana que passou, de recordação de José Afonso (o tal 'Zeca' que, para muitos que só passaram a ouvir a Grândola Vila Morena depois de 26 de Novembro de 1975, parece ser propriedade dessa tal esqueda ciumenteira), sem deixar de evocar outras músicas que pertencem, certamente, ao mesmo repertório de queixas, quais lamentações evocadoras do sagrado direito de qualquer povo, sentindo a "essência da existência", exaltar 'a sabedoria e a humildade'.
"Polenta
Allusion aux chants sacrés où le spiritual est emprent de sagesse populaire et d’humilité. À l’image de ce plat du pauvre qu’est la ‘qalantiqa', sorte de flan oranais (que l’on connaît également à Alger sous le nom de “carentita”) à base de poudre de pois-chiche et d’oeufs. Musicalement, on retrouve le mode chaâbi (populaire de la casbah), un clin d’oeil à l’Orient à travers le qanûn-cithare et un final sous forme de “daqqa marrakchia” (batements frénétiques dês mains)."

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Razões que só o coração conhece!

Porque gosto de pensar que outros muitos como eu, certamente também por razões diversas das minhas, com ou sem a mesma consciência que eu tenho a respeito de muitas das questões em que, certamente, esses outros também pensam;
Porque já tenho ouvido dizer que o cidadão está para a polis assim como esta deve estar para o Homem, numa evocação pessoana que contribui para ilustrar bem da nossa pernonalidade básica, num Mundo cada vez mais distante do terreno da realidade em que diz viver, tal é o grau de estupefacção a que este estado chegou;
Porque me lembro de que, na polis, o primeiro elemento é o do sentimento de pertença e não a razão que o compreenda, para antes do dever haver o ser, para antes do saber haver o ter;
SINTO-ME a "navegar" nessa portugalidade imensa através das batidas das cordas do piano, como que me soprando em segredo que hoje já não haverá mais motivo para carpir a humilhação, tal tem sido a manifestação de interesses, vontades, opiniões a arrastar a indignação, por muitos anos esquecida, do flagelo em que muitas mulheres (por vezes já mães) se encontram.
Por isso, mesmo antes de saber o que destas manifestações de participação resulta, interessa-me perceber que é o meu povo que fala, por mais manipulado e constantemente usurpado que esteja a ser.
E porque certamente a chuva, quando bate, "não bate assim ..."
Estas são das tais razões que só os corações conhecem!
"...Navegar é preciso"!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Sinais do Tempo

Continuo ... pensando que nalgumas das situações mais complexas da vida, pelo menos nessas, tenho de pensar como vivo, mesmo que continue a querer, conscientemente, viver como penso. Não me vejo, a mim como a qualquer outro ser humano (sapiens sapiens), a viver o lindíssimo sentimento de liberdade (natural) de outra forma ou segundo outra premissa que não essa!


Continuo a rever-me na constante e serena consolação de aprender, contemplando, naquele conhecer sem sabor, sem prefiguração, sem ante nem post, sem alto nem baixo, sem lado nem limite que o reduza a qualquer desejo que não seja o de beber a encarnação redundante, sem ânsia de ser o que sempre foi, o da plena liberdade que nos traz a serena consolação de aprender, contemplando!
Resta-me, portanto, a preocupação que nos traz a transparência das ilusões com que perpassam as verdades da sedução non stop, nesse estilo do verbo moderno que é o das mentes industrializadas, hiper racionalizadas, economicamente desenvolvidas com o sofisma da pseudo humanização do Mundo, que é a constante mensagem que acompanha a poluição com que prebendam os povos que continuam a aprender, contemplando, nessa serena consolação que é a da plena liberdade de continuar a ser!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Somos apenas o que a vida depositou em nós

Gostei de revisitar , mais uma vez, o "Ortogal", e de lá ter encontrado, a partir de uma evocação ao nosso Agostinho da Silva, este trecho musical que me lembrou uma das mais conhecidas interpretações de Joan Baez, ainda de finais dos anos 60:

"«Conhecemos tão pouco da vida, do mecanismo complexo que deve ser este do mundo que, segundo me parece, o decidir-se não tem grande valor, senão no que respeita à estima que poderemos manter por nós próprios, à confiança que talvez seja absurda, mas que em todo caso nos permite viver. Creio que, sejam quais forem as circunstâncias, tanto faz decidir-se depois de ter pensado bem um ponto como decidir-se atirando a moeda ao ar... »
Agostinho da Silva, Sete Cartas a Um Jovem Filósofo"

Eu diria aqui, ainda, que cada um de nós é uma parte da vida que não se repete, nesta constante repetição que a vida é feita.
Ela dá-nos tanto quanto cada um consegue percebê-la, nessa acepção meramente existencialista do sentido de posse, que é o mesmo que dizer que o ter é conhecermo-nos, como já diziam os helenistas pitagóricos, pretendendo assim traduzir a vida e o mundo perceptível (percepcionado): quando acedemos ao conhecimento da vida, que em nós mesmos se manifesta, sabemos que somos apenas o que a vida depositou em nós, que quando já não somos é a vida que se recupera, porque só somos a vida e não apenas o que pensamos dela, e que tudo o mais pertence, como um artefacto da ilusão, ao vácuo da imaginação fantasiada, único fundamento dos egoísmos impertinentes (ou egos absurdos).

domingo, 24 de dezembro de 2006

Hino à Galáxia Lusa

Revejo-me a contemplar a velocidade do TGV a 'correr' atrás do Hino à 7ª Galáxia, do Chick Corea e os Return to Forever, mas o que aqui reproduzo é o meu deslumbramento pela capacidade do nosso "Zezito" (designativo bastante afectuoso que alguém, escrevendo-o numa revista portuguesa semanal, se lembrou de rebuscar nas suas origens societais), ou melhor do nosso PM , correr à frente da vaga neo-lib, com todas as seduções, repulsas e contradições que têm norteado a semi-consciente "política de cose-casacas" para a pobretança.
Por isso, lembrei-me de um excelente senhor compositor neo-melancólico, com uma riqueza de sonoridades instrumentais que, tenho a certeza, se o nosso Zez... PM a ouvir, ficará mais descansado quanto à sacralidade da sua moral, que é como quem diz, em paz consigo mesmo, já que a tarefa é árdua ... lá isso é! E, de um modo geral, tenho de lhe 'tirar o chapéu', já que tem tido coragens que merecem alguma admiração. Mas ... aqui fica este trecho "Inocente", para apaziguamento das almas ... . Neste época natalícia, sobretudo, não fica mal a ninguém!!!
Keith Jarrett with Jan Garbarek (Innocence - Personal Mountains)

"Epitaph" ao jeito de uma profecia dos Crimsom

Como prenda de Natal, para alguns intelectualóides ...
Já que a História nunca acaba, mas sempre se repete ... o que há mais de trinta anos foi cantado, numa época bem libertacionária, ainda hoje (ou, talvez, hoje mais que nunca) serve para traduzir, não obrigatoriamente em calão, os sentimentos e a revolta que brotam de uma consternação e crítica inconformista, apontadores proféticos de modelos societais que, muito certamente, estão ou estarão para ruir ... todos expressos, em síntese poética, na letra de uma composição da banda que já considerei, musicalmente, o melhor grupo de rock de todos os tempos - os King Crimson.






KING CRIMSON lyrics

sábado, 23 de dezembro de 2006

Pela Amizade, pelo Natal, pelos amigos da Natividade

Há já muitos anos que não ouvia este meu CD do Buster Williams Trio, que me merece uma estima muito especial, não só pelo estilo como pelas sonoridades "conservadoras-progressistas" dos trechos que aqui apresenta.

Também no Jazz se encontra muito para uma "musicologia da libertação". A única grande exigência que tem este tipo de música é, como na clássica, a de uma apurada sensibilidade musical e, acima de tudo, um total alheamento de preconceitos xenófobos (ou, se preferirmos ainda, uma abstracção total em relação a estereótipos musicais).

Nesta quadra, em que se anunciam novas ou reforçadas amizades, partilho este

A Beautiful Friendship (Buster Williams - Tokudo)


E, porque depois de amanhã continuará este nevoeiro sebastiânico, recomendo este rol de sensações do mesmo álbum, que é
Someday My Prince Will Come