segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Hinos à hiper-razão dos mitos

O Eterno Retorno dos Mitos

Cumpro-me ao escrever o reflexo que a vida diz em mim. De vez em quando, porque não consigo fazê-lo sempre que, talvez, o devesse dizer aos outros para que, assim , todos possamos ser uma Voz que a Vida ouça, sindicando os males que já ninguém ousa denunciar! Pois que seja esse o pecado comunal, já que esse Todo mais que a soma das partes nos parece, cada vez mais, utopia de sobremesa de intelectuais irrequietos, na ânsia de ainda mostrarem que estão à altura de merecer o saque a que nos prostou a sua falta de coragem! E não digo nomes, nem funções, nem ocupações, nem tão pouco refiro relações! Nessa senda da falta de coragem, ainda dentro da coragem de o escrever!
Apetece citar algo do que leio, e por esse meio também me revejo no que vou vendo serem verdades porque se vêem, sem necessitar de outro espelho que não seja o da realidade que alguns gostariam que não alcançássemos. Pois só assim se sentem heróis! São os coroados pela frustração que querem partilhar com os outros, como se esse fosse o espelho da sua própria cobardia! A sua própria imagem chega para a negação que, no fundo, vêm de si mesmos, e esse é o único elemento que, no abismo da sua existência, lhes tapa a visão da inevitável fatalidade em que sabem viver! Como se o anticristo fosse outro deus feito pelos homens!
Também eu não dou para esse peditório! Não faço essa minha viagem de ser, em cada dia que passa, um pouco mais do sonho que não nos deixam alcançar! Por isso, atendi a esta peça de mais um dos 'bravos' que escrevem no Jornal de Negócios, e que aqui apresento pela primeira vez. Sem o conhecer, sei que o tenho de referenciar!
"A herança de Nietzsche
Alexandre Brandão da Veiga
O cidadão comum, na acepção do homem que aparece em público, tem uma visão sumária do que seja o pensamento de Nietzsche. O mito do eterno retorno, a oposição apolíneo/dionisíaco, ...
O mito do eterno retorno, a oposição apolíneo/dionisíaco, o super-homem, o anticristianismo, a libertação das barreiras morais são os lugares-comuns com que vê a sua obra.

Como quase todos os fundadores da modernidade, Nietzsche é um antimoderno. A modernidade vive desta contradição. É das raras épocas instauradas pelos seus principais detractores. Baudelaire, Proust, Thomas Mann, Goethe, Tocqueville, Gauss, Cantor, Bergson, Chateaubriand, Maxwell. A lista seria interminável e longa de demonstrar. Da física à matemática, da literatura à filosofia e ao pensamento político, Nietzsche integra-se nesta lista infindável.

Herdeiro de Maistre, do pensamento e do estilo francês que tanto admira e começa com Montaigne mas vai até aos românticos, Nietzsche é o grande cultor e a grande vítima do equívoco. Usado pelos nazis, liberais económicos fundamentalistas, extrema-esquerda e altermundialistas (tantos parentescos que têm entre si) para destruir em fronte comum o cristianismo e a noção de tradição e de hierarquia perene, não podia ser mais afastado de todos eles.

O mito do eterno retorno bebeu-o de herança grega e influência indo-europeia (persa e indiana). O problema é que confundiu com retorno o que mais não é que a experiência da identidade na sua imensa estranheza e insistência. A oposição apolíneo e dionisíaco esquece que pelo menos a realidade grega se pode chamar de olímpica nas suas maiores obras. A Ilíada é olímpica e não dionisíaca nem apolínea. A Odisseia é atenaica. Nem Apolo nem Dionisios têm algum papel relevante nela. Hesíodo é olímpico e ctónico. A cada deus se pode cotejar um estilo. E isto esquecendo as divindades ctónicas, e o culto dos heróis. A sua genial interpretação da cultura grega é mais um mote para agir no presente e futuro que uma rigorosa descrição da cultura grega. O super-homem não o encontraria nem na personagem da banda desenhada nem em Hitler, mas talvez mais em Robert Schumann e Alcide de Gasperi, para espanto dos incautos. Os que se sentem herdeiros do seu anticristianismo não percebem que estão dele bem mais afastados que os fervorosos cristãos. Só alguém com uma fervorosa ligação a Cristo vive obcecado em negar o seu ensinamento. A libertação das barreiras morais não significa, como julgam alguns, que tudo vale, mas que só quem tudo vale tudo pode.

Aqueles que se valem de Nietzsche no espaço público, sobretudo os que dele nunca ouviram falar, são das mais variadas espécies zoológicas. Fundamentalistas islâmicos ou do mercado, altermundialistas, libertários de costumes, estetas de autocarro, europeístas da tecnicidade pura. No final de contas, todas as modalidades de acefalia lógica e espiritual da nossa época. A ironia é que estes seus seguidores seriam os primeiros a ser desprezados pelo filósofo.

É que quem vê o Nietzsche de versão vulgata esquece assim as suas vertentes mais importantes: o espírito aristocrático, a exigência moral absoluta, seu amor pela Europa e a importância do estilo.

O espírito aristocrático bebeu-o Nietzsche em fonte grega, mas em geral na indo-europeística. A cultura alemã do fim do século XIX estava a anos-luz do resto do mundo nesta matéria, só tendo havido real recuperação francesa, inglesa e mais tarde russa, na primeira metade do século XX. Já na altura se percebiam as raízes profundamente aristocráticas do pensamento indo-europeu. Basta ver a Ilíada, ou o Mahabaratha. O pensamento aristocrático é alimentado de absoluto (o Bhrama védico, por exemplo), de espírito heróico (o super homem é apenas mais um dos retornos do tema heróico), de uma cultura de desprezo pela menoridade.

A exigência moral absoluta é apenas um dos seus corolários. Quem se reivindica de Nietzsche para justificar o relaxamento moral não se pode enganar mais na porta. Se o dito apocalíptico é o "sede perfeitos como o Pai é perfeito" o de Nietzsche seria "sede vivos como o Pai é vivo". O império da vida é o domínio da exigência moral sem limites, tudo o contrário do relativismo, da tolerância ou do relaxamento. O que Nietzsche critica no cristianismo é a sua falta de exigência, de tolerância pelos fracos, pelos menorizados, os subdesenvolvidos. Nietzsche não quer deitar fora o cristianismo para libertar a vivência tola e incontrolada. Quer uma moral bem mais exigente, sem perdão, sem culpas e consequentemente sem desculpas. Assim sendo, citar Nietzsche querendo dar ideia de que se é democrático de espírito só pode enganar desprevenidos.

Nietzsche é, por outro lado, um dos maiores amantes da Europa, e um profeta da sua unificação. Nietzsche profetizou que a unificação da Europa se faria pela via democrática e aí estaria tanto a sua salvação como os seus maiores perigos. É dos primeiros a sentir a americanização da Europa já no fim do século XIX, no caso pela frenética vivência do tempo. Os mesmos que condenam a Europa pelo seu frenesi esquecem-se que se esta sempre foi irrequieta, mas ser frenética herdou-o da filiação americana. A construção europeia deve-lhe muito, não nas suas modalidades, mas nas possibilidades intelectuais da sua realização.

É raro o grande escritor que não dê acento ao estilo. Falo obviamente apenas de grandes escritores. Apenas me lembro como excepção de Tchekov. É o único caso de imenso escritor em que o estilo claudica (falo em tradução, mas quem sabe da coisa afirma que o mesmo se passa em russo). Mas Nietzsche é talvez o único que fez um texto com o título "porque escrevo tão bem?", título chocante, mas infelizmente em que não se pode apontar crítica porque é eminentemente verdadeiro no seu caso. Quem actualmente se reivindica de Nietzsche mais uma vez se engana no caminho quando não valoriza e não exercita o grande estilo. Era herdeiro consciente da imensa tradição literária francesa e embora seja exagerado dizer que foi por sua via que o grande estilo entrou na literatura alemã, a verdade é que é juntamente com Mann o prosador alemão que mais intensamente liga a consciência do estilo com o seu exercício.

Os seguidores de Nietzsche no espaço público, quando invocam o nome, a obra ou sobretudo os seus argumentos, dizendo que superaram o pensamento cristão, que tudo é relativo, que a Europa é multicultural, esquecem-se que o fundo do pensamento de Nietzsche é ser ele mesmo o templo reconstruído, e no "nulla salus sine ecclesia" ser ele a igreja. Obra de titã, obra de herói, obra de majestade mas absolutamente impiedosa. "Deus morreu" tem muitas leituras, desde a histórica e sociológica, até à metafísica, e em certo sentido mesmo alguma leitura teológica um pouco menos ortodoxa (Cristo-Homem morreu na cruz, mas afinal era Deus, logo...). Mas Nietzsche sabia que a morte de Deus libertava o mundo. E para lá de bem e mal. Para a forma primeva, para o fundamental, mas um fundamental que é um abismo. Nietzsche atira para o abismo quem dele se aproxima, e poucos conseguem nadar nas águas dele.

Que implicações para o espaço público desta equivoca e demérita leitura de Nietzsche a que assistimos diariamente? Mais uma vez se pode pensar que apenas faço exercício de esteta ou que nada do que digo releva para o espaço público.

A parte mais importante do Assim Falava encontra-se na dança de Zaratustra. Sinto-me bem acompanhado nesta perspectiva, porque Jung a aceita e Heidegger não deitaria esta ideia fora. O ideal de Nietzsche é o homem que dança. É simples de se ver. O homem que dança tem a inteligência em todo o corpo e não apenas no cérebro. É por esta perspectiva que Nietzsche, mais que grande filósofo, é grande teólogo, sobretudo teólogo moral.

Mas o problema dos que rasgam horizontes é que deixam farrapos no caminho e na paisagem para que abriram as vistas. A sua moral de impiedade virou-se contra si, não lhe perdoando o fracasso perante a obra heróica. A grandeza de Nietzsche foi ter aberto como nunca antes uma caixa de Pandora na qual nem no fundo viu esperança. O homem público que queira ser seguidor mais ou menos confesso de Nietzsche tem de ser assim perguntado. E perguntado da seguinte forma: Danças? És impiedoso perante a fraqueza? Desprezas o insucesso? É-te inevitável desprezares-te falhando?

É que ou se segue Nietzsche por inteiro ou apenas às fatias. E Nietzsche às fatias é vácuo de sentido. Não se larga o cristianismo senão para um destino heróico simultaneamente individual e impessoal. Ou então está-se largar o cristianismo para o substituir por coisa nenhuma. Mas isso não é ser seguidor de Nietzsche. É apenas ser vazio. Não seguem ninguém. Apenas se vêem ao espelho."

E, dos hinos da minha imaginação libertística, lembro-me de mais esta composição dos America, ainda de tempos em que sonhar era, quotidianamente, como mais uma curva na estrada da vida ...




(America, Donkey Jaw, album America)

Donkey Jaw
Ah, get behind me satan
Quit ravishing the land
Does it take the children
To make you understand?
Ah, all across the nation
People don't understand
Does it take the children
To make a better land?
Then, get behind me satan
Quit ravishing the land
Does it take the children
To make you understand?
Does it take the children
To make a better land?

Hinos à hiper-razão dos mitos

O Eterno Retorno dos Mitos

Cumpro-me ao escrever o reflexo que a vida diz em mim. De vez em quando, porque não consigo fazê-lo sempre que, talvez, o devesse dizer aos outros para que, assim , todos possamos ser uma Voz que a Vida ouça, sindicando os males que já ninguém ousa denunciar! Pois que seja esse o pecado comunal, já que esse Todo mais que a soma das partes nos parece, cada vez mais, utopia de sobremesa de intelectuais irrequietos, na ânsia de ainda mostrarem que estão à altura de merecer o saque a que nos prostou a sua falta de coragem! E não digo nomes, nem funções, nem ocupações, nem tão pouco refiro relações! Nessa senda da falta de coragem, ainda dentro da coragem de o escrever!
Apetece citar algo do que leio, e por esse meio também me revejo no que vou vendo serem verdades porque se vêem, sem necessitar de outro espelho que não seja o da realidade que alguns gostariam que não alcançássemos. Pois só assim se sentem heróis! São os coroados pela frustração que querem partilhar com os outros, como se esse fosse o espelho da sua própria cobardia! A sua própria imagem chega para a negação que, no fundo, vêm de si mesmos, e esse é o único elemento que, no abismo da sua existência, lhes tapa a visão da inevitável fatalidade em que sabem viver! Como se o anticristo fosse outro deus feito pelos homens!
Também eu não dou para esse peditório! Não faço essa minha viagem de ser, em cada dia que passa, um pouco mais do sonho que não nos deixam alcançar! Por isso, atendi a esta peça de mais um dos 'bravos' que escrevem no Jornal de Negócios, e que aqui apresento pela primeira vez. Sem o conhecer, sei que o tenho de referenciar!
7y
"A herança de Nietzsche
Alexandre Brandão da Veiga
O cidadão comum, na acepção do homem que aparece em público, tem uma visão sumária do que seja o pensamento de Nietzsche. O mito do eterno retorno, a oposição apolíneo/dionisíaco, ...
O mito do eterno retorno, a oposição apolíneo/dionisíaco, o super-homem, o anticristianismo, a libertação das barreiras morais são os lugares-comuns com que vê a sua obra.

Como quase todos os fundadores da modernidade, Nietzsche é um antimoderno. A modernidade vive desta contradição. É das raras épocas instauradas pelos seus principais detractores. Baudelaire, Proust, Thomas Mann, Goethe, Tocqueville, Gauss, Cantor, Bergson, Chateaubriand, Maxwell. A lista seria interminável e longa de demonstrar. Da física à matemática, da literatura à filosofia e ao pensamento político, Nietzsche integra-se nesta lista infindável.

Herdeiro de Maistre, do pensamento e do estilo francês que tanto admira e começa com Montaigne mas vai até aos românticos, Nietzsche é o grande cultor e a grande vítima do equívoco. Usado pelos nazis, liberais económicos fundamentalistas, extrema-esquerda e altermundialistas (tantos parentescos que têm entre si) para destruir em fronte comum o cristianismo e a noção de tradição e de hierarquia perene, não podia ser mais afastado de todos eles.

O mito do eterno retorno bebeu-o de herança grega e influência indo-europeia (persa e indiana). O problema é que confundiu com retorno o que mais não é que a experiência da identidade na sua imensa estranheza e insistência. A oposição apolíneo e dionisíaco esquece que pelo menos a realidade grega se pode chamar de olímpica nas suas maiores obras. A Ilíada é olímpica e não dionisíaca nem apolínea. A Odisseia é atenaica. Nem Apolo nem Dionisios têm algum papel relevante nela. Hesíodo é olímpico e ctónico. A cada deus se pode cotejar um estilo. E isto esquecendo as divindades ctónicas, e o culto dos heróis. A sua genial interpretação da cultura grega é mais um mote para agir no presente e futuro que uma rigorosa descrição da cultura grega. O super-homem não o encontraria nem na personagem da banda desenhada nem em Hitler, mas talvez mais em Robert Schumann e Alcide de Gasperi, para espanto dos incautos. Os que se sentem herdeiros do seu anticristianismo não percebem que estão dele bem mais afastados que os fervorosos cristãos. Só alguém com uma fervorosa ligação a Cristo vive obcecado em negar o seu ensinamento. A libertação das barreiras morais não significa, como julgam alguns, que tudo vale, mas que só quem tudo vale tudo pode.

Aqueles que se valem de Nietzsche no espaço público, sobretudo os que dele nunca ouviram falar, são das mais variadas espécies zoológicas. Fundamentalistas islâmicos ou do mercado, altermundialistas, libertários de costumes, estetas de autocarro, europeístas da tecnicidade pura. No final de contas, todas as modalidades de acefalia lógica e espiritual da nossa época. A ironia é que estes seus seguidores seriam os primeiros a ser desprezados pelo filósofo.

É que quem vê o Nietzsche de versão vulgata esquece assim as suas vertentes mais importantes: o espírito aristocrático, a exigência moral absoluta, seu amor pela Europa e a importância do estilo.

O espírito aristocrático bebeu-o Nietzsche em fonte grega, mas em geral na indo-europeística. A cultura alemã do fim do século XIX estava a anos-luz do resto do mundo nesta matéria, só tendo havido real recuperação francesa, inglesa e mais tarde russa, na primeira metade do século XX. Já na altura se percebiam as raízes profundamente aristocráticas do pensamento indo-europeu. Basta ver a Ilíada, ou o Mahabaratha. O pensamento aristocrático é alimentado de absoluto (o Bhrama védico, por exemplo), de espírito heróico (o super homem é apenas mais um dos retornos do tema heróico), de uma cultura de desprezo pela menoridade.

A exigência moral absoluta é apenas um dos seus corolários. Quem se reivindica de Nietzsche para justificar o relaxamento moral não se pode enganar mais na porta. Se o dito apocalíptico é o "sede perfeitos como o Pai é perfeito" o de Nietzsche seria "sede vivos como o Pai é vivo". O império da vida é o domínio da exigência moral sem limites, tudo o contrário do relativismo, da tolerância ou do relaxamento. O que Nietzsche critica no cristianismo é a sua falta de exigência, de tolerância pelos fracos, pelos menorizados, os subdesenvolvidos. Nietzsche não quer deitar fora o cristianismo para libertar a vivência tola e incontrolada. Quer uma moral bem mais exigente, sem perdão, sem culpas e consequentemente sem desculpas. Assim sendo, citar Nietzsche querendo dar ideia de que se é democrático de espírito só pode enganar desprevenidos.

Nietzsche é, por outro lado, um dos maiores amantes da Europa, e um profeta da sua unificação. Nietzsche profetizou que a unificação da Europa se faria pela via democrática e aí estaria tanto a sua salvação como os seus maiores perigos. É dos primeiros a sentir a americanização da Europa já no fim do século XIX, no caso pela frenética vivência do tempo. Os mesmos que condenam a Europa pelo seu frenesi esquecem-se que se esta sempre foi irrequieta, mas ser frenética herdou-o da filiação americana. A construção europeia deve-lhe muito, não nas suas modalidades, mas nas possibilidades intelectuais da sua realização.

É raro o grande escritor que não dê acento ao estilo. Falo obviamente apenas de grandes escritores. Apenas me lembro como excepção de Tchekov. É o único caso de imenso escritor em que o estilo claudica (falo em tradução, mas quem sabe da coisa afirma que o mesmo se passa em russo). Mas Nietzsche é talvez o único que fez um texto com o título "porque escrevo tão bem?", título chocante, mas infelizmente em que não se pode apontar crítica porque é eminentemente verdadeiro no seu caso. Quem actualmente se reivindica de Nietzsche mais uma vez se engana no caminho quando não valoriza e não exercita o grande estilo. Era herdeiro consciente da imensa tradição literária francesa e embora seja exagerado dizer que foi por sua via que o grande estilo entrou na literatura alemã, a verdade é que é juntamente com Mann o prosador alemão que mais intensamente liga a consciência do estilo com o seu exercício.

Os seguidores de Nietzsche no espaço público, quando invocam o nome, a obra ou sobretudo os seus argumentos, dizendo que superaram o pensamento cristão, que tudo é relativo, que a Europa é multicultural, esquecem-se que o fundo do pensamento de Nietzsche é ser ele mesmo o templo reconstruído, e no "nulla salus sine ecclesia" ser ele a igreja. Obra de titã, obra de herói, obra de majestade mas absolutamente impiedosa. "Deus morreu" tem muitas leituras, desde a histórica e sociológica, até à metafísica, e em certo sentido mesmo alguma leitura teológica um pouco menos ortodoxa (Cristo-Homem morreu na cruz, mas afinal era Deus, logo...). Mas Nietzsche sabia que a morte de Deus libertava o mundo. E para lá de bem e mal. Para a forma primeva, para o fundamental, mas um fundamental que é um abismo. Nietzsche atira para o abismo quem dele se aproxima, e poucos conseguem nadar nas águas dele.

Que implicações para o espaço público desta equivoca e demérita leitura de Nietzsche a que assistimos diariamente? Mais uma vez se pode pensar que apenas faço exercício de esteta ou que nada do que digo releva para o espaço público.

A parte mais importante do Assim Falava encontra-se na dança de Zaratustra. Sinto-me bem acompanhado nesta perspectiva, porque Jung a aceita e Heidegger não deitaria esta ideia fora. O ideal de Nietzsche é o homem que dança. É simples de se ver. O homem que dança tem a inteligência em todo o corpo e não apenas no cérebro. É por esta perspectiva que Nietzsche, mais que grande filósofo, é grande teólogo, sobretudo teólogo moral.

Mas o problema dos que rasgam horizontes é que deixam farrapos no caminho e na paisagem para que abriram as vistas. A sua moral de impiedade virou-se contra si, não lhe perdoando o fracasso perante a obra heróica. A grandeza de Nietzsche foi ter aberto como nunca antes uma caixa de Pandora na qual nem no fundo viu esperança. O homem público que queira ser seguidor mais ou menos confesso de Nietzsche tem de ser assim perguntado. E perguntado da seguinte forma: Danças? És impiedoso perante a fraqueza? Desprezas o insucesso? É-te inevitável desprezares-te falhando?

É que ou se segue Nietzsche por inteiro ou apenas às fatias. E Nietzsche às fatias é vácuo de sentido. Não se larga o cristianismo senão para um destino heróico simultaneamente individual e impessoal. Ou então está-se largar o cristianismo para o substituir por coisa nenhuma. Mas isso não é ser seguidor de Nietzsche. É apenas ser vazio. Não seguem ninguém. Apenas se vêem ao espelho."

E, dos hinos da minha imaginação libertística, lembro-me de mais esta composição dos America, ainda de tempos em que so nhar era, quotidianamente, como mais uma curva na estrada da vida ...


(America, Donkey Jaw, album America)

Donkey Jaw
Ah, get behind me satan
Quit ravishing the land
Does it take the children
To make you understand?
Ah, all across the nation
People don't understand
Does it take the children
To make a better land?
Then, get behind me satan
Quit ravishing the land
Does it take the children
To make you understand?
Does it take the children
To make a better land?

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Tibetan Refugees Shot by Chinese Soldiers

A caçada aos tibetanos continua, promovendo a diplomacia europeia e mundial a mais uma candidatura à ineficácia do Direito Internacional.



Aqui transcrevo o texto em inglês que, juntamente com a peça que, creio, corre o Mundo inteiro, me chegou da ICT (ver o sidebar do blogue).

"Membership Action Alert on Nangpa Shootings
Dear Tibet friend,

Over the last week you will have seen ICT's detailed reports on the shooting of Tibetans by Chinese military personnel near the Tibet-Nepal border on 30 September. Thus far, ICT can confirm that a 17-year old nun was killed in the incident, as Tibetans fleeing into exile were fired upon while crossing the snowy Nangpa Pass on the refugee route to Nepal. Nine children aged between 6 and 10 years.

The incident occurred in the vicinity of the Cho Oyu Mountain advanced base camp and was witnessed by as many as 40 western climbers from various countries. Last week ICT was able to obtain direct eyewitness information from the climbers. By Wednesday ICT had obtained its first photograph from the scene, and by Friday ICT was receiving video footage from a Romanian TV crew that had been filming a climbing team in the region. Watch the video footage of the shootings at http://www.protv.ro/stiri/international/exclusive-footage-of-chinese-soldiers-shooting-at-tibetan-pilgrims.html.

ICT was able to confirm this weekend that the young Tibetan male filmed hiding from the Chinese military in the video footage did indeed reach Nepal safely and is now at the Tibetan Reception Centre in Kathmandu.

ICT has been working hard on this case, both through its field team in Nepal and via its communications and government relations teams, alerting the media, informing on the story and engaging governments to pressure an official explanation from the Chinese government. The Chinese State Media agency Xinhua has said the soldiers acted in self-defence. Video footage of the incident proves that this response to the killing of an unarmed nun and the firing of live ammunition at children as young as 6 is unacceptable!

On 19 October EU officials will meet Chinese officials as part of their bi-annual Human Rights Dialogue. We urge you to contact your MP and your Foreign Affairs Minister to condemn the killings and demand that your government condemn this incident directly to the Chinese government.

Take action at www.savetibet.org/action

Thank you for your support!
/The ICT Campaigns Team

Press Clippings

Video Footage at YouTube
www.youtube.com/watch?v=w1oq0hb7C0c

Reuters Article
http://today.reuters.co.uk/news/CrisesArticle.aspx?storyId=PEK359293&WTmodLoc=World-R5-Alertnet-4"

Oxalá, para breve, chegue a libertação!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Against corruption, "Sacred Words Of Liberation"

Contemplando ... o que a razão consegue apreender ... e ensinar aos mais novos!...

Vejo-me e revejo-me nestes últimos artigos deste arti(culi)sta que é o Sérgio Figueiredo. Não por qualquer identificação, ideológica (implícita) ou outra, mas também pelo seu sentido de oportunidade! Esta 'tirada' (sobre a prioridade institucional atribuída ao combate à corrupção) vem mesmo na altura certa! E, também por coincidência ou não, tenho alunos de Ciência Política motivados para a pesquisa sobre o tema, na "Área de Projecto". Ali, será enquadrado conceptualmente nos "Desvios Sociais", que é como quem diz, dos alunos que temos, que apesar de estarem classificados, comparativamente à escala internacional, como pouco produtivos (a dita ineficácia do sistema de ensino, ou, melholr dizendo, a ineficácia que conduz à tal baixa produtividade ...), eles atestam-nos da atenção com que a sociedade civil sente e vive o este problema social específico.
É, acima de tudo, uma questão sócio-política fundamental, numa sociedade composta por homens que, queira-se ou não, vivem cabalmente segundo o alinhamento conceptual da espécie "homo sapiens sapiens"! Ou seja, é uma questão que se reportará, sempre, ao ambiente cívico da CIDADANIA!!!
Querendo ser vós activa, se não decisiva, pelo menos que tenhamos voz participativa no processo!
Bem haja a todos por tudo isso! Da minha parte, uma prece,
através da evocação de um trecho do Lama Gyurme - Sacred Words Of Liberation


"Corrupção no OE
Não é por acaso que Portugal sobe na tabela internacional da corrupção e não pára de descer no ranking da competitividade. Afinal, as duas coisas estão ligadas. A corrupção é um obstáculo sério ao progresso económico de uma nação.

Sérgio Figueiredo
É sobretudo uma perversão moral, fonte de exclusão social.
Não temos estatísticas credíveis sobre a prática de crimes económicos. Mas temos a certeza de que o fenómeno existe e tende a generalizar-se. O sistema de justiça não funciona. E a impunidade é o desfecho certo dos casos mais mediatizados. Resultado? A dissuasão não existe, propaga-se a ideia de que o crime compensa.

O que o Presidente da República veio dizer é que não pode ser assim. Não pode, nem deve. Por isso veio convocar toda a gente para atacar o flagelo. Colocar o tema da corrupção na agenda significa uma caça às bruxas? Obviamente que sim.

A sociedade tem de ser confrontada com os nódulos do sistema, tem de identificar os seus tumores, extirpá-los um a um, agir onde os processos emperram, apurar responsabilidades, enfim, limpar a máquina e pô-la a funcionar.

Senão continuamos no discurso politicamente correcto. Senão a intervenção de Cavaco Silva vai para o arquivo-morto do Palácio de Belém, onde jazem tantos discursos, igualmente bem-intencionados, do doutor Jorge Sampaio e outros Presidentes da República. Porque os presidentes mudam, mas a República não.

Senão não haverá um verdadeiro estímulo para a sociedade mudar de atitude. Mesmo que os políticos disponibilizem mais recursos. Como vai acontecer no próximo ano, num Orçamento de aperto, mas que reforça as transferências financeiras para quem está na linha da frente deste combate.

É muito importante que o Governo responda ao apelo do Presidente. E é muito importante que a atitude não morra com o pretexto de que falta dinheiro. E, neste país, a falta de dinheiro serve de pretexto para justificar tudo.

Atacar a corrupção pode não ser suficiente. Falta qualidade nas organizações partidárias. Há o défice de participação da sociedade civil. A força dos monopólios no sector privado.
A fragilidade do poder das instituições.

Mas ignorar o problema, esconder os sintomas, calar as vozes que falam, mesmo as que falam pelas piores razões, é contribuir, ainda que passivamente, para que jamais nos libertemos desta maldita crise nacional. E da incapacidade de nos levarmos a sério.

Enganam-se aqueles que pensam que os crimes económicos são um problema à parte do problema da economia. Análises empíricas mostram que os níveis de investimento são mais elevados nos países onde é elevada a percepção de combate aos crimes de "colarinho branco". O Banco Mundial também tem resultados que confirmam a correlação entre a corrupção na administração pública e o desempenho das empresas.

O investimento, estrangeiro ou nacional, depende da qualidade do ambiente de negócios de um país. O bom ambiente de negócios pressupõe um Estado de confiança. E este Estado é, finalmente, o garante do exercício da justiça, da estabilidade das regras, da previsibilidade na conduta das instituições e da transparência nas decisões.

O país perdeu-se, há muito, e não se sabe em que parte, nesta sequência virtuosa. O que o Estado nos está a indicar no seu Orçamento para o próximo ano é, não tanto os milhões a mais para a PJ ou para o Ministério Público, mas a definição clara de uma prioridade. E, entre as suas prioridades, o país não tem só de equilibrar as contas públicas. Precisa urgentemente de recuperar alguns dos valores mais básicos. Como a decência."

sábado, 23 de setembro de 2006

Que ninguém me diga que é apolítico

Qualquer dia faço uma Sebenta de “Textos de Crítica” politológica.

Não posso deixar de alertar o meu mui citado mestre JAM da pertinência destes textos que por aqui e por outras bandas da imprensa nacional vou lendo com atenção, de forma a que a Escola que, por tradição já secular, se devota ao pensamento político em Portugal, tenha estas publicações em consideração, pelo devido respeito académico que merecem.
Não é caso para menos, com estes artigos de opinião. Eu cá tinha as minhas razões para me sentir intrigado com a transbordante pertinência dos conteúdos de algumas rubricas que uma meia dúzia de articulistas do Jornal de Negócios deixa sair da pena das suas mãos. E não me enganei. Penso que felizmente, pois todos devemos, certamente, beneficiar com isso, não apenas porque assistimos a uma exemplar manifestação de liberdade de expressão; ou tão somente porque lemos num jornal temático linhas de prosa que nos mostram realidades que ultrapassam a categoria dos temas de que deveriam tratar. Não.
Este Jornal é um grande exemplo do que qualquer órgão de comunicação social (seja ele público ou, mesmo, privado) deve cumprir, de forma a que a Comunicação Social se torne definitivamente, no nosso País, na instituição que assume a missão a que por natureza (social) está vinculada: a de ser o principal Observatório Social, veículo dos fluxos da informação pública multidireccionada (recebida e emitida, ascendente e descendente) que interessa à sociedade descodificar e gerir.

Só assim, entendo eu e muitos, todos participaremos (democraticamente) na organização (definição, edificação, manutenção, desenvolvimento e regulação) do sistema social a que, inevitavelmente, pertencemos. E, por isso, que ninguém me diga que é apolítico. Há dois milénios e meio que Aristóteles negou essa pretensão, sobretudo àqueles que, pelas mais variadas justificações, se alheiam e afastam da realidade a que nenhum de nós (cidadãos que reclamamos viver em sociedade e em democracia) pode fugir: a da polis. Porque esta implica e exige tudo isto a que acabei de me referir. A partir
deste artigo do J. Negócios:

Os revolucionários do Beato
Pedro S. Guerreiro
psg@mediafin.pt

O Compromisso Portugal apresentou ontem várias propostas, muitas delas boas, outras que deviam ser Lei, algumas irrelevantes, poucas que não prestam e várias irrealizáveis.

É uma elite empresarial que é e será sempre acusada de querer trampolim para chegar ao poder governativo, de se afirmar como grupo de pressão com interesses próprios.

Podemos sempre suspeitar das motivações empresariais, políticas ou egocêntricas dos promotores; podemos sempre perguntar o que estão a fazer esta manhã pelo País aqueles que ontem à noite se deitaram com a boa consciência de terem cumprido o seu dever cívico; podemos sempre criticar quem propõe utopias mas jamais as testará – o programa eleitoral mais fácil de fazer é o do partido que sabe que não vai governar. Podemos sempre fazer isto tudo. Mas também podemos deixar a idade do armário e olhar para o que fica do Compromisso deste ano. Sem complacência, com exigência.

Quando Carrapatoso se declara revolucionário e contra os reaccionários, está (propositadamente?) a convocar a discussão em torno da acusação mais consistente feita ao Compromisso Portugal: a de que é um movimento que apresenta as suas propostas como não ideológicas mas que tem uma ideologia latente, mesmo escondida – a tecnocracia; a tese de que o País fica melhor entregue a gestores; o mito da solução única, que é a tecnicamente mais adequada. Como nas empresas.

É por isso que o poder político não comparece ao "rendez-vous" no Beato. Não quer valorizar. Não quer ver Carrapatosos, Mexias, Borges e Relvas a enfileirarem conquistas nos seus terrenos. Porque uma sociedade só percebe soluções técnicas se forem explicitadas ideologicamente, porque um Governo não é uma empresa, porque a despolitização dos assuntos distancia as pessoas, porque a glória de um movimento da sociedade civil é a desnecessidade dos partidos políticos – e são os partidos que interpretam a realidade. Ao invés, os tecnocratas do Compromisso Portugal falavam ontem do País com a mesma linguagem com que falam das empresas: a que aprenderam nos MBA. Posicionamento estratégico. Vantagens competitivas. Quotas de mercado. Nichos. Estratégia de competitividade.

O Compromisso Portugal nasceu como um contra-movimento a outro grupo de empresários, que assinou o "Manifesto dos 40" pedindo a defesa dos centros de decisão nacional. Os proteccionistas despertaram os liberais e estes venceram-nos. Esta é a nova geração, que já cresceu em democracia e sucede aos empresários que se zangaram com o País em 1975. Por isso, não tem contas a ajustar. Por isso, é gente pragmática, optimista, provocante, ambiciosa, que defende a economia de mercado, a concorrência. E é nesse deslumbramento que António Carrapatoso subverte a realidade e "desideologiza" a palavra "revolucionário", chamando de "reaccionários" provavelmente a gente do Bloco de Esquerda e dos sindicatos imobilistas.

No fim da jornada de ontem, sobra um incómodo: para que serviu isto? Seja o que for, não pode extinguir-se num estudo que se entrega a quem aprouver – o Compromisso Portugal é um movimento de elite, não é uma consultora. Ser grupo de pressão não é defeito – é virtude, mesmo que a sua força resulte mais da representatividade económica do que da popular.

A Convenção do Beato não foi um comício, foi uma reunião de trabalho. E dela emerge uma constatação: o Compromisso Portugal tem uma visão e apresenta medidas para a alcançar. E esse é um desafio lançado a um Governo que parece sempre aprisionado pela gestão aflita do quotidiano.

Para um País, o melhor está em quem quer gerir o Estado. O pior está em quem quer gerir o poder. No Governo ou no Compromisso.”

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Mas afinal ... que é que esta gente quer?

(Ou a felicidade de ser apenas um cidadão)
Encontros para debater questões meramente económicas não são! Convenções gerais de natureza partidária não parece, igualmente, traduzir o conteúdo das mensagens ou a finalidade das intenções.
Lembro-me de ter reparado nas notícias publicitadas que, na altura do primeiro destes encontros no Convento do Beato, fizeram furor pela "película de verniz" social, espelhada em tão notáveis autores de intervenções e assistência. Aparentemente, por razões socialmente objectivas ou por meras fobias subjectivamente germinadas nos cidadãos que vão acumulando complexos sócio-político-partidários e/ ou ideológicos geradores de frustações, só me lembro de ter uma sensação e uma ideia imediatas: medo, perante a provável elite tecnocrática, constituída a partir do mais que provável mixed "ring" da residual elite dominante e da contra-elite ao Poder. Toda ela político-economicamente liberal, capitalista e pseudo-aristocrática.
Segui, com atenção, as opiniões de dois comentadores do Jornal de Negócios:
"Políticos assumem poder sem estarem preparados e estão orientados para a conquista do voto
Susana Domingos
sdomingos@mediafin.pt


António Carrapatoso defendeu hoje que os Governos têm assumido o poder sem estarem preparados para tal, tendo uma orientação focalizada na conquista dos votos, considerando o Estado “fraco”. O responsável aponta ainda o dedo à sociedade civil que “é fraca e pouco interventiva”.

Estas foram as principais razões apontadas hoje pelo Compromisso Portugal, através de António Carrapatoso, para explicar as razões que levam a que as reformas não sejam eternamente adiadas em Portugal.

Para começar, a sociedade civil "é fraca e pouco interventiva" , existindo uma "incapacidade dos governos de estruturar e explicitar uma visão de verdadeira mudança, da forma como a sociedade está organizada e funciona", afirmou o responsável.

António Carrapatoso afirmou que "os Governos assumem o poder sem estarem preparados, sem terem um programa de mudança. Têm uma visão táctica orientada para a conquista do voto", adiantando que "os governos têm uma fraca capacidade de gestão".

Estado é pouco independente
Carrapatoso considera que "há um poder desproporcionado de corporações e outros grupos de interesse sobre o Estado", afirmando que o "Estado é fraco e pouco independente, o que obriga a que exista uma sociedade civil atenta".

Outra razão apontada para a não concretização das reformas é o "facto de existir uma opinião pública pouco esclarecida e com uma elevada resistência à mudança".

Atendendo a estas razões, só a força e pressão da sociedade civil e uma opinião pública esclarecida permitirão ultrapassar estes factores de "bloqueio" e "forçar"a realização das necessárias rupturas, defende António Carrapatoso.

Na intervenção que decorreu no Convento do Beato, o responsável afirmou que "o modelo social actualmente é insustentável e injusto", não criando "igualdade de oportunidades e um dos sinais é o abandono escolar de 40%".

No que toca à segurança do trabalho, "as leis rígidas só vão prejudicar e portanto o Compromisso Portugal defende a flexibilidade como uma forma positiva para assegurar a segurança no trabalho".

Quando se referiu à justiça em Portugal, António Carrapatoso definiu-a como "incapaz, corporativa" e que "não dá confiança ao cidadão". O responsável defende a mudança do sistema judicial "se queremos confiar nele".

"O sistema de saúde tem falta de indicadores claros da sua eficiência. A qualidade ambiental tem vindo a degradar-se e, sem fazer convergência entre interesses da economia e do ambiente, até a economia fica posta em causa no longo-prazo".

Cidadão precisa de ser responsabilizado e valorizado
António Carrapatoso defendeu ainda que "o cidadão tem de ser responsabilizado e valorizado. Os direitos sociais têm de ser claramente definidos, o Estado tem de ser forte, independente e subsidiário e tem de existir flexibilidade".

O responsável acrescentou que "o modelo social tem de ser capitalizado mas mantendo pensões mínimas sociais".
"Compromisso na prática
Sérgio Figueiredo
sf@mediafin.pt


Uma nota prévia: agora que são conhecidos os seis documentos de base à discussão na Convenção do Beato, sem sombra de dúvidas que a qualidade do trabalho e da matéria de reflexão subiu vertiginosamente face à primeira iniciativa que o Compromisso Portugal realizou há dois anos.
O método deste ano partiu de grupos de trabalho, liderados por relatores, que produziram umas "versões preliminares", debatidas e aperfeiçoadas pelo "plenário" dos vinte e tal promotores principais.

Contrasta, para melhor, com o "improviso" de 2004, em que a Convenção foi baseada nas intervenções de mais de uma dezena de "estrelas", que ali desfilaram durante um dia inteiro. O Compromisso amadureceu, apresenta trabalho mais estruturado e essa é a primeira utilidade que a nossa classe empresarial dali pode extrair: há um exemplo que revela a diferença entre os resultados produzidos em equipa e aqueles que se obtêm a partir de iniciativas individuais.

Por mais brilhantes que sejam, os espanhóis habituaram-se a partilhar riscos, a unir esforços, a trocar informação, a dividir até clientes e seguirem em consórcio para mercados internacionais e projectos de grande dimensão. Ainda somos o país do "cada um por si" e essa atitude é uma barreira invisível para a competitividade.

Assim, sem ainda ter começado, esta segunda Convenção do Beato já está melhor do que a primeira. Longe de ser perfeita. Longe de ser equilibrada. Longe de ser uniformemente eficaz nas seis áreas que são propostas para a agenda nacional.

O que traz então concretamente de novo o Compromisso para Portugal?
O exercício mais completo e mais prático, até hoje conhecido, sobre a redefinição das funções do Estado. O relatório assinado por Fernando Pacheco e Nogueira Leite explora as boas práticas internacionais. Sobretudo na Educação, na Saúde e na Administração Pública. E adapta-as à nossa situação concreta.

Avança com metas quantificadas. Duplicar o peso dos privados na oferta de ensino. Aumentar, para cerca de um terço, a prestação de cuidados de saúde nos hospitais privados.

Estima impactos. E surpreende. É na gigantesca máquina pública, não tanto na cedência de funções sociais, é portanto no extermínio das grandes ineficiências do Estado que, à luz da experiência de Berlim, se obtêm as maiores poupanças.

Num curto espaço de tempo, o sistema de impostos pode ficar aliviado de 5 mil milhões de euros por ano. E quase 200 mil pessoas ficarão libertas para produzir algo de útil. Este trabalho já vale um Compromisso. Mas não o esgota.

No modelo social surgem as respostas que o PSD foi incapaz de dar. Sabemos, assim, os custos de transição para um sistema de capitalização: 155 mil milhões de euros. Uma barbaridade.
É proposto um método.

Emissão, anual, entre 2007 e 2051, de 3,5 mil milhões de dívida pública nova para pagar as actuais responsabilidades. Que implica, para o défice até 2051, um fardo anual de 0,6% do PIB só em pagamento de juros. E que a partir daí, com as amortizações, sobe para mais de 1% do PIB até ao fim do século. O exercício é meritório. A opção, propriamente dita, impraticável.

E há também um destaque muito especial para a Justiça e a Educação. E o mérito de enfrentar o reino das corporações. Dos juízes e dos professores. De colocar a transparência no centro das relações do Estado com os cidadãos.

De introduzir os mais básicos princípios de gestão. De premiar quem leva a sua profissão a sério. E castigar aqueles que não prestam contas, que atingiram o Nirvana, que confundem deliberadamente discrição com opacidade. E defendem o sistema.

Enfim, o sistema questiona-se e a elite autocritica-se. Essa é a parte mais estimulante do Compromisso Portugal."

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Enebriante contemplação sinfónica da Criação

À espera do nascer do Sol … para um mestre do outro lado do Atlântico!

Penso na separação geográfica que as distâncias climáticas evocam, sobretudo quando as consequências fisiológicas em animais já tão culturalmente fragilizados como nós, humanos, se fazem sentir com pequenas mudanças dos elementos naturais.
E lembro-me, também, das sensações que me provocaram todos os episódios que vivi, enquanto marinheiro, enquanto navegava juntamente com outros à procura de espécies piscícolas. Mesmo assim, julgo tratar-se de experiências marítimas nada comparáveis às que tiveram, em tempos ditos gloriosos de outrora, os nossos e os demais marinheiros, que autenticamente se lançaram na aventura do desconhecido, “por mares nunca dantes navegados” …!

É dentro deste espírito reconstituinte que espero, ainda, encontrar mestre JAM em terras de Vera Cruz, mesmo que continue por lá a cruz de já pouco ou nada ser vero, no 'grande baú' que é esse reservatório de memórias armilares …! Para tal, escolhi uma reconfortante e inspiradora composição musical que, sei, terá oportunidade de reproduzir, mesmo que a tal não se veja obrigado. E que o Mar nunca nos separe!

Poderia ser Claude Débussy, pode ser Maurice Ravel, mas o que é, certamente, não é outra coisa senão o maravilhoso impressionismo que só a inspiração dos “anjos” dos nossos sentidos consegue construir, através da vocação dos que Deus dotou com a capacidade de realizar essa proeza que é transformar a interpretação da realidade natural numa enebriante contemplação sinfónica da Criação.

Lever du jour” - Maurice Ravel, Daphnis et Chloé (fragments symphoniques - 2éme série)

terça-feira, 19 de setembro de 2006

A Costa da Galícia

Com o Outono a chegar, a frescura da costa da Galícia.

Mais uma vez me lembro dos poemas que no Publicista passam, pela pena da Ana Márcia ... Eu acho que esta área da literatura celta ainda há-de merecer, pela sua mão, escritos bastante prometedores. Por mim, sinto a imaginação ir bem longe, transportada pelos sons bem característicos da música que lhe escolhi, a condizer. Sinto-me em casa!
A Celtic Blessing
May the light of your soul guide you.
May the light of your soul bless the work that you do
with the secret love and warmth of your heart.
May you see in what you do the beauty of your own soul.
May the sacredness of your work bring healing, light
and renewal to those who work with you
and to those who see and receive your work.
May your work never weary you.
May it release within you wellsprings of
refreshment, inspiration and excitement.
May you be present in what you do.
May you never become lost in bland absences.
May the day never burden.
May dawn find you awake and alert,
approaching your new day with dreams, possibilities and promises.
May evening find you gracious and fulfilled.
May you go into the night blessed, sheltered and protected.
May your soul calm, console and renew you.
Ou ainda, para complementar o conteúdo desta mensagem de um abençoado desejo, em contornos do sagrado, mais este poema cantado de ... John Milton (Song):
Song
Now the bright morning Star, Dayes harbinger,
Comes dancing from the East, and leads with her
The Flowry May, who from her green lap throws
The yellow Cowslip, and the pale Primrose.
Hail bounteous May that dost inspire
Mirth and youth, and warm desire,
Woods and Groves, are of thy dressing,
Hill and Dale, doth boast thy blessing.
Thus we salute thee with our early Song,
And welcom thee, and wish thee long.
The Coast Of Galicia - Bill Whelan (The Sevile Suite)

Em estilo laboratorial, dissecando o Homo democraticus ...

Vejo que há artigos de opinião que poderão contribuir para as linhas de uma sempre necessária renovação da teoria política. Os conteúdos da crítica que por estes lados, no Jornal de Negócios, e os de outros articulistas, noutras bandas dos escaparates jornalísticos, se vão construindo, constituem um material empírico à espera de uma adequada constextualização teórica, que a politologia académica tem de abarcar.
Neste artigo retirado do JN a sua autora dá-nos uma visão das vicissitudes por que passam os protagonistas da elite política, como autênticos actores de uma ópera chamada democracia ...
"Um assunto demasiado sério
Luísa Bessa
lbessa@mediafin.pt

Há na política um pingue pongue verbal que faz parte das regras do jogo. Os partidos têm diferentes projectos e para se baterem por eles precisam de evidenciar as diferenças. Se fizessem o contrário deixavam de ter razão de existir.
Tocamos na essência da democracia. Ser eleito em função de um conjunto de propostas, governar de acordo com elas e depois ser avaliado pelos eleitores.

É verdade que às vezes as coisas não são assim tão simples. Nem os eleitos governam exactamente de acordo com aquilo que prometeram nem as propostas são, frequentemente, o critério essencial para a decisão dos eleitores, que avaliam cada vez mais a confiança que lhes suscitam os candidatos do que as propostas propriamente ditas. Mas isso é outra conversa.

De acordo com estas regras, a defesa de pactos de regime entre quem está no poder e quem está na oposição pode parecer «contra natura». Aplicando-se os «pactos» a matérias que vão mexer com interesses instalados - e convém ter presente que quando se muda alguma coisa há sempre alguém que sai prejudicado -, é óbvio que a colagem da oposição a este tipo de decisões a faz partilhar os custos.

Apesar disso, o PSD tem insistido na proposta de pactos para um conjunto de matérias e faz bem. Ao fazê-lo Marques Mendes corre o risco de partilhar alguns custos da reforma, mas assume-se como o interlocutor privilegiado do Governo e o rosto da alternância, com a postura de Estado necessária a quem se apresenta como candidato a líder do Governo. E disponível para as decisões difíceis a que o estado do país obriga.

Até agora a estratégia tem-lhe corrido bem. Na Justiça, ninguém ignora que foi o primeiro a propor um pacto, logo em 2005, iniciativa que José Sócrates rejeitou liminarmente. Um ano mais tarde, o pacto aí está. Pode pecar por defeito, nomeadamente por excluir o reforço da luta contra a corrupção, mas mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.

Seguiu-se a Segurança Social. Com as propostas do Governo em discussão entre os parceiros sociais, o PSD deu o passo em frente: classificou-as de insuficientes para o longo prazo e propôs que uma parte das contribuições fossem canalizadas para um regime de capitalização.
José Sócrates aproveitou a deixa e anunciou a indisponibilidade do PS para aceitar a «privatização» da Segurança Social. Para diluição já basta o acordo na Justiça, de menor carga ideológica, era a mensagem implícita.

Mas, apesar das declarações públicas, é preciso perceber que: 1) o PSD não propõe a privatização da Segurança Social mas a adopção de um sistema misto, semelhante ao que foi adoptado por governos sociais-democratas europeus; 2) que o PS não exclui liminarmente essa opção, apesar de tudo o que tem sido dito nos últimos dias.

Assim, se a discussão é para levar a sério, convém que o PSD responda rapidamente ao Governo, ao PS e aos portugueses, como se propõe fazer a transição e quanto vai custar aos cofres do Estado a quebra nas contribuições que asseguram o pagamento dos actuais pensionistas, para responder à provocação de Vieira da Silva de que o que tem para apresentar se resume a «umas folhinhas no jornal oficial [no site do partido] que até são de difícil leitura».

Se o não fizer conclui-se que está a usar a proposta de pacto na Segurança Social como mero instrumento do pingue pongue do discurso político, o que não convinha mesmo nada. Primeiro, porque o assunto é demasiado sério. Segundo, porque as propostas do Governo para o reforço da sustentabilidade da Segurança Social são um bom princípio mas podem não ser suficientes. E já não há tempo a perder."

Por que será que este tema - o da elite - dá sempre tanto que falar!?!

Não vou recomendar, por não ser cronologicamente viável a leitura oportuna de uma tamanha obra, a única tese de doutoramento em Portugal dedicada ao tema da elite, do meu querido Professor António Marques Bessa - "Quem Governa? Uma Análise Histórico-Política do Tema da Elite". Mas não faria mal a ninguém que a lesse, tal é a pertinência da sua leitura relativamente ao momento sócio-político que, nestes dias, se viverá em Portugal. Como nos dá conta este já nosso conhecido colunista do JNegócios, em mais uma das suas "bicadas":

"Razão para desconfiar

Sérgio Figueiredo
sf@mediafin.pt

Há duas formas de encarar o movimento de elites, como aquele que depois de amanhã volta a reunir centenas de gestores e empresários no Convento do Beato.

Uma, céptica, corresponde à visão de um dos nossos grandes advogados que, ao Jornal de Negócios de sexta-feira, explicava porque era rara aquela entrevista: "Não aparecer é uma das poucas formas de elitismo que restam em Portugal."

A outra, romântica, é aquela que leva o seu filho a aparecer. Não só a aparecer na Convenção de quinta-feira, como a promovê-la, a assumir ali o protagonismo do debate sobre o tema da justiça.

Portugal está algures, entre o distanciamento de Vasco Vieira de Almeida e o empenho de João Vieira de Almeida, à procura de um rumo. Por vontade do pai, não era o "Compromisso Portugal" que mudava o país. Se dependesse do filho, não era de mudança que se falava, mas de ruptura.

Modelo Social. Competitividade. Justiça. Papel do Estado. Ambiente e Ordenamento. Educação. São os seis temas à discussão, por um movimento que renasce dois anos depois, e sintetizados num documento já disponível na Net (www.compromissoportugal.pt) que os próprios classificam como "provocatório".

Evidentemente que o modelo social precisa de ser reformado, porque os resultados que delem se tiram resumem-se a um fracasso nacional. Não existe, aliás, outra forma de interpretar a "bandeira de Cavaco" no combate à exclusão, senão o reconhecimento, ao mais alto nível, desse fracasso colectivo.

A competitividade da economia tem de ser, como é lógico, objecto de reflexão, devem portanto remover-se os bloqueios que se colocam às nossas empresas, porque até hoje ainda não se inventou o progresso de uma nação sem empresas saudáveis.

E, como óbvio, não é possível encarar um país socialmente mais justo e economicamente mais competitivo, se a justiça continuar a ser aquilo que é, se o ambiente e o ordenamento do território continuarem a ser depreciados, se o Estado não sofrer o choque de mudança necessário.

E, por fim, para que tudo isto seja sustentável, para preparar as futuras gerações para prosseguirem o caminho de desenvolvimento, é necessário mudar a cultura que prevalece no nosso sistema de ensino.

Portanto, não falta mote ao "Compromisso Portugal". Nem faltam motivos para a elite se inquietar. Nem a nação está bem, nem muitos daqueles promotores se recomendam. Mas, e o "pai" Vasco que me desculpe, é sempre preferível vê-los em manifestações públicas do que em peditórios privados.

Outro Vasco, ainda mais céptico, o Pulido Valente, escreveu na primeira Convenção algo do género: "Se esta gente estivesse no poder, o Governo caía num dia." É uma afirmação que se autodestrói: eles não estão no Governo, por isso é um absurdo exigir-lhes que se comportem como se estivessem.

Também um colunista de um jornal não escreve a pensar assim, senão pelo menos VPV deixava de fazer aquilo que faz como ninguém, se pensasse como um ministro...

Há, portanto, uma terceira forma de olhar para o Compromisso Portugal: a oportunidade para debater o que é preciso mudar. Com rupturas – e elas são necessárias para derrubar o "império das corporações". Com transições – e elas são recomendáveis quando se discute o modelo social e o papel do Estado.

Não me interessam as ambições políticas do dr. Carrapatoso. E é idiota desqualificá-lo por razões como esta. Se querem algo mais pateta, fica aqui uma revelação: foi um espanhol, Rafael Mora, que baptizou o movimento de "Compromisso Portugal". Em vez de só patearem, podem cantar o Hino Nacional."

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

O Espírito da Água

Nestes dias de interpretações discursivas pontifícias, lembro-me de outras fontes de inspiração divina …

Lembro-me que a Ana Márcia escreve muito pertinentemente sobre os poemas que evoca. E que nesses artigos estará, algures escondida nas entrelinhas, a linha ou o sentido lógico das suas intenções, dos sentimentos que associa aos conteúdos dos respectivos poemas. Para qualquer um de nós leitores, acidentais ou não, tudo passará pelas nossas interpretações, quer recorramos ou não às técnicas de análise literária.

Mas para percebermos as manifestações divinas, creio, por tudo o que a vida já me ensinou, não é necessária tanta instrumentalização da razão. E, por isso, fico-me aqui com mais esta “oração” musical que, lembrando-me apenas da primeira passagem do livro do Génesis, constitui a minha libertação musical de hoje, sem ter que pedir desculpa a ninguém (…?)!!!

Spirit of the Water

See the lights out on the water
Come and go, to and fro
In the time it takes to find them
You can live, you can die
And nothing stops the river as it goes by
Nothing stops the river as it goes
All alone and all together
Every day, come what may
By the time we find each other
We can live, we can die
And nothing stops the river as it flows by
Nothing stops the river as it goes

Camel – Spirit Of The Water - Moonmadness

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Mensagem de Esperança e Solidariedade aos Irmãos Tibetanos

Pelo Publicista, pelo Dalai Lama e ... pelo Tibete! Com evocação musical de Yungchen Lhamo!

Há já uns tempos que recebo e-mails da ICT - International Campaign For Tibet - mas, com a notícia da condecoração do Dalai Lama pelo congresso norte-americano, decidi dedicar esta Musicologia da Libertação em memória desse sagrado canto do Mundo, com o fundo musical de uma cantora tibetana que, desde pequena, se viu forçada a fugir da sua terra natal e cujas músicas traduzem a influência da violência dessa separação!
The US House of Representatives today passed a bill to award the Dalai Lama, Tibet's exiled leader, the Congressional Gold Medal, the nation's highest civilian honor. The award is in recognition of the Dalai Lama's advocacy of religious harmony, non-violence, and human rights throughout the world and for his efforts to find a peaceful solution to the Tibet issue through dialogue with the Chinese leadership.
The bill enjoyed broad bipartisan support, with 387 cosponsors drawn from both sides of the aisle in the House and Senate, representing more than two-thirds of Congress.
Lodi Gyaltsen Gyari, Special Envoy of His Holiness the Dalai Lama, said: "As a Tibetan, I am deeply touched by this gesture from the United States Congress. Together with the Honorary Citizenship recently bestowed upon His Holiness by the Canadians, this award is an indication of continued international admiration and appreciation of his contribution towards making ours a more harmonious world."

Yungchen Lhamo - Happiness is ... (Coming Home)


Assim, passa a figurar no sidebar deste blogue a respectiva etiqueta, alusiva a uma causa com que me identifico, pelo que o faço com muito gosto. Para saber mais sobre esta realidade está lá o link.
For centuries Tibet, a vast high altitude plateau between China and India, remained remote from the rest of the world with a widely dispersed population of nomads, farmers, monks and traders. Tibet had its own national flag, its own currency, a distinct culture and religion, and controlled its own affairs. In 1949, following the foundation of the Chinese Communist state, the People's Liberation Army invaded Tibet and soon overpowered its poorly equipped army and guerilla resistance.
Tibet is important to China for strategic and economic reasons and because of the Communist Party's imperialist ambitions. In China today, it is a serious offence to say that Tibet is separate from China.
In March 1959, Tibetans rose up against the Chinese occupiers. The uprising was brutally crushed and the Tibetan leader,
His Holiness the XIV Dalai Lama, escaped to India, followed by more than 80,000 Tibetans. Tens of thousands of Tibetans who remained were killed or imprisoned. Untold numbers, but at least hundreds of thousands, of Tibetans have died as a direct result of China's policies since 1949 - through starvation, torture and execution.
'Tibet is a human rights issue as well as a civil and political rights issue. But there's something else too - Tibet has a precious culture based on principles of wisdom and compassion. This culture addresses what we lack in the world today; a very real sense of inter-connectedness. We need to protect it for the Tibetan people, but also for ourselves and our children.'

- Richard Gere, Chairman of the Board of the International Campaign for Tibet